O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, reafirmou nesta terça-feira (18/08/2026) seu compromisso de recuperar o comando operacional total das Forças Armadas antes de 2030, em resposta à decisão de Donald Trump de reduzir os exercícios militares conjuntos por sua 'muito boa relação' com Kim Jong Un. Seul busca fortalecer sua autonomia defensiva em um contexto de crescente incerteza regional.

Coreia do Sul insiste em recuperar o controle total de suas Forças Armadas

O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, estabeleceu como prioridade recuperar o comando operacional total (OPCON) de suas Forças Armadas, inclusive em tempos de guerra, antes do final de seu mandato em 2030. A declaração foi feita durante uma reunião de gabinete nesta terça-feira, conforme informou a agência sul-coreana Yonhap.

Lee destacou que essa transferência é essencial para "reforçar ainda mais as capacidades do Exército" em um momento em que os conflitos evoluem para uma guerra híbrida e as mudanças na segurança nacional são constantes. "A base da segurança será fortalecida à medida que nosso valor e importância como aliados crescerem, ao fortalecermos nossas próprias capacidades", explicou.

O que é o comando operacional (OPCON)?

Seul exerce o controle operacional de suas tropas em tempos de paz desde 1994. No entanto, em caso de conflito armado em larga escala na península coreana, as forças sul-coreanas e americanas seriam integradas a um comando conjunto liderado por Washington. Esse esquema é um legado da Guerra da Coreia, quando Seul cedeu o comando a um comando da ONU dirigido pelos EUA. No final dos anos 70, foi transferido para o Comando Conjunto de Forças da Coreia do Sul e dos EUA.

Condições para a transferência

A recuperação total do comando operacional exige que a Coreia do Sul cumpra uma série de condições operacionais e tecnológicas, como o desenvolvimento de sistemas de defesa antimísseis e outras capacidades-chave. O governo de Lee insiste que esse processo é fundamental para garantir a soberania e a preparação militar do país.

A decisão de Trump e seu impacto

As declarações de Lee chegam dois dias após o presidente americano Donald Trump anunciar, em redes sociais, que ordenou ao Pentágono reduzir "substancialmente" os exercícios militares conjuntos na Coreia do Sul, citando sua "muito boa relação" com o líder norte-coreano Kim Jong Un. Trump argumentou que esses exercícios "não são apenas caros", mas enviam "um sinal totalmente inapropriado e hostil" a um país que, segundo ele, tem se mostrado "pacífico e respeitoso".

Essa postura gerou preocupação em Seul, que vê na redução das manobras um possível sinal de enfraquecimento do compromisso de segurança dos EUA na região. A resposta de Lee, reafirmando o objetivo de recuperar o OPCON, busca demonstrar que a Coreia do Sul está disposta a assumir maior protagonismo em sua própria defesa, independentemente das oscilações políticas de Washington.

Contexto regional e alianças

A península coreana continua sendo um dos pontos mais tensos do mundo, com a Coreia do Norte desenvolvendo mísseis balísticos e realizando testes nucleares. A aliança entre Seul e Washington tem sido a pedra angular da segurança sul-coreana por décadas, mas a recente decisão de Trump abriu um novo capítulo de incerteza. Enquanto isso, a Coreia do Sul também demonstrou interesse em estreitar laços com outros parceiros, como Japão e OTAN, para diversificar sua rede de segurança.

A comunidade internacional observa com atenção esses movimentos, pois qualquer mudança no equilíbrio militar da região pode ter repercussões globais. A insistência de Lee em recuperar o comando operacional total é um passo claro em direção a uma maior autonomia estratégica, embora o caminho esteja cheio de desafios técnicos e políticos.

Fonte: Agência Yonhap, Infobae e Europa Press