Um novo sismo sacode o sul da Espanha
A província de Granada, no sul da Espanha, voltou a viver momentos de tensão nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, quando um terremoto de magnitude 4,8 sacudiu a região. O epicentro foi localizado em Gójar, uma localidade da área metropolitana de Granada, a cerca de 10 quilômetros ao sul da capital, segundo o Instituto Geográfico Nacional (IGN).
O movimento foi registrado às 10h37 (horário local) e teve profundidade relativamente superficial, característica que aumenta a intensidade percebida pela população. Imediatamente depois, ocorreram várias réplicas, incluindo uma de magnitude 4,2 com epicentro em Alhendín às 11h34.
Balanço de danos e feridos
O sismo deixou três pessoas feridas leves, entre elas uma menor de idade que foi levada ao hospital, conforme confirmou Antonio Sanz, responsável por emergências da região da Andaluzia. Os serviços de emergência receberam cerca de 50 chamados por rachaduras, desprendimentos de cornijas e revestimentos em diversas construções.
Nas ruas de Granada, foram relatadas grandes rachaduras em paredes, partes de fachadas desprendidas e tijolos espalhados pelas calçadas. Também houve danos em veículos, como um poste de iluminação que caiu sobre um carro.
A Alhambra, evacuada preventivamente
Um dos locais mais afetados foi a Alhambra, o emblemático complexo monumental declarado Patrimônio Mundial da UNESCO e um dos principais atrativos turísticos da Espanha. As autoridades decidiram desalojar preventivamente setores como os Palácios Nazaríes e a Alcazaba enquanto avaliam as condições de segurança do complexo.
O patronato da Alhambra explicou em redes sociais que o monumento está 'em revisão após a atividade sísmica' e que a direção avalia se fecha ou reabre. Além disso, foi ordenado o fechamento de edifícios administrativos, museus e instalações esportivas, como a Cidade do Esporte, enquanto os centros de atenção primária de saúde permaneceram abertos.
Medidas de precaução em toda a região
O Metro de Granada reduziu a velocidade de seus trens para 30 km/h como medida de precaução. A Polícia Local pediu à população que mantivesse a calma e se afastasse dos edifícios. O alerta sísmico do Google foi ativado em diversos telefones, e os serviços de emergência do 112 informaram pelas redes sociais.
O presidente da Junta da Andaluzia, Juanma Moreno, pediu 'máxima prudência' e que a população siga as recomendações oficiais, alertando que, segundo especialistas, os movimentos sísmicos e réplicas podem continuar nos próximos dias.
Uma série sísmica que mantém a região em alerta
Este novo terremoto ocorre apenas três dias depois do sismo de magnitude 5 que afetou a região na madrugada de sábado, 15 de agosto, com epicentro em Alhendín. Aquele movimento causou danos em casas e edifícios e obrigou a evacuações preventivas, embora não tenham sido registradas vítimas fatais.
Segundo registros citados pela mídia espanhola, desde 14 de agosto ocorreram mais de 150 tremores na região, embora a maioria tenha sido de menor intensidade. A sequência inclui sete terremotos de até 4,8 graus concentrados em pouco mais de uma hora nesta terça-feira.
O que está acontecendo? A opinião dos especialistas
A responsável por prevenção e risco sísmico do Instituto Andaluz de Geofísica, Mercedes Feriche, explicou que os especialistas ainda não sabem se os últimos terremotos são réplicas do sismo principal de sábado ou se estão associados a uma falha adjacente que foi reativada. 'Os especialistas vão esclarecer no final da série sísmica se os terremotos estão associados a uma única falha ou a várias', disse em declarações à agência EFE.
Feriche indicou que a comunidade científica não está alarmada e que esses terremotos 'eram esperados' em uma zona de risco como Granada, localizada na cordilheira Bética, onde convergem diferentes sistemas de falhas. Ela acrescentou que a série sísmica deve diminuir gradualmente, embora o fim do conjunto possa ocorrer 'em semanas ou meses'.
Quanto aos danos, a especialista observou que os elementos que se desprenderam 'não foram fixados à estrutura após os terremotos do fim de semana passado ou foram fixados de forma insuficiente', e que os edifícios estão se comportando 'como deveriam', deformando-se para dissipar energia.
Um estudo anterior da Universidade de Granada mostrou que o enxame sísmico de 2021 na Vega de Granada não teve magnitude maior porque os terremotos estavam 'confinados' por falhas próximas, limitando as magnitudes máximas a 4,5. Feriche lembrou que os especialistas não têm uma 'bola de cristal' para saber o que acontece no interior da Terra.
Recomendações para a população
As autoridades mantêm ativo o operativo de emergência e recomendam à população manter a calma, seguir as instruções oficiais e evitar situações de risco. Aconselha-se afastar-se de edifícios danificados, não usar elevadores durante os tremores e ter um kit de emergência preparado.
A atividade sísmica também foi sentida em outras áreas do sul da Espanha, como Almería, Jaén e Málaga, e no norte de Marrocos, embora sem consequências graves relatadas.