Uma mulher de 37 anos foi detida no Brasil após se passar por uma menina de 12 anos por mais de um ano. Amanda Souza de Oliveira enganou uma família de Joinville com chupeta, mamadeira e uma falsa história de abuso e autismo. Ela foi descoberta quando uma suposta tia a reconheceu em uma reportagem.

O engano que durou mais de um ano

Em uma história digna de filme, uma mulher de 37 anos conseguiu enganar uma família de Joinville, no estado de Santa Catarina (Brasil), se passando por uma menina de 12 anos durante 14 meses. A suspeita, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, foi detida pela Polícia Civil de Santa Catarina depois que a família que a abrigava descobriu que tudo era um golpe elaborado.

Uma encenação perfeita

Para garantir a credibilidade do personagem, Oliveira usava chupeta, bebia com mamadeira, fazia desenhos infantis e falava com voz aguda, tudo enquanto alegava ser autista e ter sofrido abusos na infância. A família, ligada a uma comunidade evangélica, tratava a suspeita como uma filha adotiva: decoraram um quarto com tema infantil, compravam roupas e até organizaram uma festa com presentes para o suposto aniversário de 12 anos.

O advogado da acusada, Lúcio Sousa, disse que ela teria encontrado essa forma de sobreviver. Foi a maneira que encontrou para sobreviver, mas é uma pessoa vulnerável há mais de 20 anos, comentou à imprensa.

Como foi descoberta?

A mulher foi encontrada quando a tia adotiva a reconheceu em reportagens sobre casos semelhantes ocorridos no Rio de Janeiro em 2023. A testemunha procurou a delegacia, onde a falsa menina foi interrogada e acabou confessando sua verdadeira identidade dias depois.

Antecedentes e outras vítimas

Segundo a investigação, não era a primeira vez. Desde 2018, Oliveira aplicava o mesmo golpe com nomes falsos como Beatriz, Ana Clara, Maria Eduarda e Gabriele, em estados como Minas Gerais, Paraná, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Em 2023, por exemplo, se passou por uma menina autista de 12 anos em uma organização de assistência a menores, e uma nutricionista gastou entre 4.000 e 5.000 reais com comida, roupas e médicos antes de descobrir a farsa.

Situação judicial

A Justiça de Santa Catarina aceitou a denúncia do Ministério Público e processou Amanda Maria Souza de Oliveira por falsidade ideológica e estelionato. Uma avaliação mental concluiu que ela tinha capacidade de entender os atos e de responder por eles. A defesa tentou alegar transtorno de personalidade dependente, ansiedade e depressão, mas o juiz não considerou essas condições isentas de pena.

O processo está em andamento e os investigadores apuram se ainda outras famílias foram vítimas dessa manipulação prolongada em diferentes regiões do Brasil. A acusada está presa preventivamente.