A Ucrânia vive mais um capítulo dramático da guerra. Na madrugada de sábado, 22 de agosto de 2026, forças russas lançaram um ataque com drones contra um shopping center em Kryvyi Rih, cidade natal do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. O saldo preliminar é trágico: 16 mortos e 130 feridos, entre eles 23 crianças. O que choca especialistas e governos é o método empregado: um ataque duplo – 30 minutos após o primeiro drone atingir o prédio, um segundo drone mirou os equipes de resgate que corriam para salvar vidas.
O que é o 'double-tap' e por que é tão cruel?
Essa tática, chamada de “double-tap” (duplo toque), é usada deliberadamente por forças militares para atacar novamente o mesmo alvo quando os socorristas chegam. O objetivo é maximizar as baixas e impedir o trabalho de emergência. No caso de Kryvyi Rih, os primeiros bombeiros e ambulâncias já estavam no local combatendo as chamas do primeiro impacto quando o segundo drone atingiu a região, causando um novo caos e dificultando o salvamento.
Em uma publicação no Telegram, Zelensky denunciou o ataque como “absolutamente cínico e desprezível contra um shopping center comum” e o classificou como um “ato terrorista”. O chefe do conselho de defesa da cidade, Oleksandr Vilkul, confirmou que as imagens mostram o drone atingindo o edifício e que ainda há várias pessoas desaparecidas sob os escombros.
Os números da tragédia
A Procuradoria Regional de Dnipropetrovsk informou que 130 feridos foram levados a hospitais, dos quais 29 estão em estado grave. Entre os casos mais críticos, uma menina de 14 anos com traumatismo craniano, e outros quatro menores. Ao menos 8 pacientes (incluindo uma criança) passaram por cirurgia. As autoridades locais dizem que equipes de resgate seguem removendo escombros em busca de sobreviventes.
Números oficiais do ataque
- 16 mortos confirmados
- 130 feridos, incluindo 23 crianças
- 29 feridos em estado grave
- Segundo ataque ocorreu 30 minutos após o primeiro
*Fonte: autoridades ucranianas
Reação da União Europeia e Alemanha
A alta representante da UE para Assuntos Externos, Kaja Kallas, foi enfática: “Isso é terrorismo deliberado”. Ela afirmou que os ministros de Relações Exteriores e Defesa dos países do bloco se reúnem nos dias 1 e 2 de setembro em Dublin para discutir novas sanções contra a Rússia, que seriam as “mais amplas desde o início da guerra”, além de fortalecer a defesa aérea ucraniana.
Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, chegou a Kiev nesta semana para reforçar o apoio ao país. Em sua conta no X, ele alertou: “Putin não alcançará seus objetivos neste inverno”. A visita coincide com o 35º aniversário da independência da Ucrânia (que será celebrado em 24 de agosto), símbolo da resistência do país.
O contexto dos últimos dias
O ataque em Kryvyi Rih veio logo após um enorme bombardeio russo em Kiev e arredores, que matou pelo menos 17 pessoas no dia anterior. Segundo a Força Aérea ucraniana, na noite de 21 para 22 de agosto, a Rússia atingiu 50 locais em todo o país com mísseis, drones e outras armas. Uma estratégia de exaustão que também busca desgastar o moral civil.
Apesar do horror, a resposta internacional mostra que a Ucrânia não está sozinha. A solidariedade global e o anúncio de novas sanções reforçam a expectativa de que o país consiga reforçar sua defesa e proteger sua população. Enquanto isso, nações aliadas como os Estados Unidos e países europeus intensificam o envio de sistemas de defesa antiaérea, como os Patriot, para mitigar novos ataques.
Com informações de CNN, Infobae e agências internacionais.