Uma lei para isolar o Irã
O governo do Irã propôs uma nova legislação que criminaliza o contato com mídias estrangeiras, impondo penas de 6 meses a 2 anos de prisão para quem mantiver vínculos com jornalistas, pesquisadores ou veículos internacionais. A medida, noticiada pelo The Guardian, busca restringir a cobertura dos protestos massivos de janeiro de 2026 e isolar a sociedade iraniana do exterior.
A lei não afeta apenas jornalistas, mas também pesquisadores e cidadãos comuns, e inclui o uso de redes sociais como Instagram e X se forem consideradas financiadas por outro país. Essa iniciativa se insere numa escalada da repressão contra a liberdade de expressão e o direito à informação no Irã.
O caso de Yalda Moaiery: 15 anos de prisão à revelia
A fotógrafa Yalda Moaiery, de 44 anos, foi condenada à revelia a 15 anos de prisão por documentar a guerra entre EUA, Israel e Irã. Moaiery, que cobriu os protestos de 2022 e 2026, tornou-se um símbolo da luta pela liberdade de imprensa no país.
Em entrevista ao The Guardian, Moaiery declarou: “Sou crítica de Israel e dos EUA, mas temo cumprir a sentença e perder 15 anos da minha vida”. Seu caso reflete o risco enfrentado pelos profissionais de comunicação no Irã, onde o simples ato de informar pode ser considerado um crime contra a segurança nacional.
Moaiery já havia sido presa e condenada a 8 anos de prisão em 2022, embora depois tenha recebido anistia. Em 2019, também criticou o então presidente dos EUA, Donald Trump, por usar sem permissão uma foto sua de uma manifestante em Teerã.
Especialistas alertam para um futuro semelhante ao da Coreia do Norte
O advogado Moein Khazaeli, do escritório Dadban, alertou que essa lei poderia levar o Irã a uma situação semelhante à da Coreia do Norte, onde o acesso a informações externas é severamente restrito. Por sua vez, Bahar Ghandehari, da organização Center for Human Rights in Iran (CHRI), destacou que a lei transforma o contato acadêmico, profissional e cívico em um possível crime de segurança nacional.
Essas vozes críticas sublinham o impacto negativo que a legislação teria sobre a sociedade civil iraniana, limitando a troca de ideias e o acesso a informações independentes.
Críticas à cobertura internacional
Moaiery também acusou jornalistas estrangeiros que cobriram o funeral de Ali Khamenei em julho de participarem da propaganda do regime. Essa declaração reflete a complexidade da situação, onde até a cobertura internacional pode ser percebida como uma ferramenta de legitimação do governo iraniano.
A comunidade internacional acompanha de perto esses acontecimentos, enquanto organizações de direitos humanos pedem a libertação dos jornalistas detidos e o fim da repressão.