31/07/2026 21:23 - Judiciales
O juiz federal suspenso de Rosário, Gastón Salmain, enfrenta uma severa crise judicial após ser formalmente acusado em 31 de julho de 2026. O promotor federal Federico Reynares Solari o acusou de corrupção passiva agravada, prevaricação e descumprimento dos deveres de funcionário público.
Para contextualizar para quem não conhece o sistema argentino, a AFIP (Administración Federal de Ingresos Públicos) é o equivalente à Receita Federal no Brasil. O ex-diretor regional desse órgão em Rosário, Carlos Vaudagna, era quem estava sendo alvo da extorsão. O promotor detalhou que Salmain teria tentado ficar com os processos criminais de Vaudagna, exigindo em troca um suborno de 100.000 dólares para resolvê-los favoravelmente. A tentativa de suborno ocorreu entre os meses de setembro e novembro de 2024.
A investigação revelou que Salmain não agiu sozinho. Supostamente, utilizou o advogado Diego Feser — diretor de um grupo de mídia e integrante do conselho do jornal La Capital de Rosário — como intermediário para oferecer a Vaudagna influenciar o expediente judicial FRO 16727/2023.
O promotor sustentou que o pagamento não chegou a se concretizar, mas lembrou que na lei argentina é crime a mera exigência. Salmain, que na época era juiz civil autorizado a atuar na área penal, primeiro se declarou incompetente e depois reclamou a competência das causas, o que para a promotoria foi uma estratégia para elevar o preço do suborno.
A acusação se apoia em provas contundentes. Uma perícia no iPhone de Vaudagna permitiu recuperar um chat apagado com o contato Gastón Salmain, composto por 48 mensagens trocadas entre 22 de dezembro de 2018 e 9 de maio de 2019. Isso demonstrou uma relação prévia entre ambos que o juiz omitiu declarar.
Além disso, comprovou-se que Salmain havia pedido a Vaudagna um emprego público para seu parceiro. O caso deu uma guinada inesperada quando, ao investigar se o juiz direcionava expedientes previdenciários, foram instaladas câmeras de segurança que capturaram Salmain se reunindo com Feser em 4 de agosto de 2025, um dia antes de ditar uma resolução favorável aos meios de comunicação desse advogado.
Ao finalizar a audiência, Salmain rejeitou as acusações e afirmou não ter pedido nem recebido dinheiro. O magistrado apontou que sofre uma perseguição impulsionada desde o mais alto da Corte Suprema, mencionando o presidente Horacio Rosatti, e solicitou declarar a Ricardo Lorenzetti. Devido a que conserva seus fueros (imunidade judicial que protege magistrados de prisões provisórias na Argentina), o juiz Román Lanzón rejeitou o pedido de prisão preventiva da promotoria, mas enviou os autos ao Conselho da Magistratura, que já iniciou um juicio político (processo de impeachment) contra ele que poderia destituí-lo em menos de 180 dias úteis, trazendo esperança de que a justiça se faça valer.
Fontes: La Política Online, La Nación, La Capital, RTS Medios e El Ciudadano.
Alfredo S. Quiroga