Rosa Micaela Quipildor, de 30 anos e mãe de três filhos, foi presa no aeroporto de Haneda, em Tóquio, após detectarem 101 cápsulas de cocaína em seu aparelho digestivo. A droga, avaliada em mais de 150 mil dólares, teria sido ingerida no Brasil. Agora, revelou-se que em 2022 ela já havia sido condenada por tentar enviar entorpecentes para a Tailândia e a Malásia.

Um achado que revelou uma história judicial

A detenção de Rosa Micaela Quipildor no aeroporto de Haneda, em Tóquio, em 10 de agosto de 2026, não foi um fato isolado. A mulher, de 30 anos e mãe de três filhos, foi descoberta com 101 cápsulas de cocaína escondidas em seu corpo, mas agora se soube que ela já tinha um antecedente criminal pelo mesmo delito.

Segundo informou o jornal argentino La Nación, em novembro de 2022 Quipildor foi condenada pelo Tribunal Oral em Penal Econômico N° 1 da Argentina pelo delito de contrabando de exportação agravado. O processo, registrado como CPE 899/2021/TO1, originou-se de três tentativas frustradas de enviar entorpecentes ao sudeste asiático por meio de encomendas postais detectadas pelos escâneres da Fedex e da DHL.

A primeira tentativa: encomendas para Tailândia e Malásia

Entre agosto de 2021 e abril de 2022, Quipildor tentou despachar um total aproximado de 1,36 quilos de cocaína com destino a Bangkok (Tailândia) e Malásia. Os envios foram detectados em filiais de empresas de correio privado nos bairros portenhos de San Nicolás e Caballito.

Naquela ocasião, a Justiça impôs uma pena de três anos de prisão em suspenso, um valor abaixo do mínimo legal. A sentença destacou seu estado de extrema vulnerabilidade: ela vivia na villa 1-11-14 do Bajo Flores, em condições de superlotação e risco alimentar, e sobrevivia graças a programas sociais e comedores comunitários.

O novo episódio: 101 cápsulas no estômago

Em 10 de agosto de 2026, Quipildor chegou ao aeroporto de Haneda vinda de São Paulo, com escala em Heathrow (Londres). Os agentes alfandegários notaram seu comportamento suspeito e a encaminharam a um hospital, onde uma radiografia revelou 101 cápsulas em formato de casulo, de cerca de 5,2 centímetros de comprimento, envoltas em uma dupla camada de plástico e borracha preta.

A droga apreendida pesava aproximadamente um quilo e foi avaliada em US$ 152.160 no mercado ilegal japonês. Durante o interrogatório, Quipildor admitiu que uma mulher que conheceu em um festival na Argentina lhe ofereceu o trabalho, que recebeu a cocaína no Brasil e a ingeriu lá, e que lhe prometeram US$ 7.000 pelo transporte.

Uma rede que explora as “mulas”

O caso de Quipildor expõe uma trama que combina antecedentes judiciais, contrabando internacional e o drama de um método que coloca em risco a vida de quem aceita se tornar “mula”. Segundo informações de veículos japoneses como Tokyo Reporter, TBS News Dig e TV Asahi, a Polícia Metropolitana de Tóquio continua investigando quem organizou o transporte e se a mulher agiu por conta própria ou fazia parte de uma organização de narcotráfico com conexões na América do Sul.

O caso ocorre em um contexto de aumento de detenções por cocaína no Japão: no último ano, 415 pessoas foram detidas por crimes relacionados a essa droga, um número muito superior ao de dez anos atrás.

Além disso, apresenta semelhanças com a detenção de Eleonora Gracia, a argentina de 46 anos presa em março de 2025 na Indonésia com 324 gramas de cocaína escondidas em suas partes íntimas, que foi condenada a sete anos de prisão.

Até o momento, as autoridades japonesas não solicitaram informações à Interpol Buenos Aires, e a Justiça argentina não tinha nenhuma investigação aberta sobre Quipildor. No entanto, seu passado judicial e sua situação atual como “mula” no extremo oriente evidenciam a atividade de uma rede de narcotráfico que se vale de pessoas vulneráveis para traficar drogas para a Ásia.