Saumil Mehta, presidente global da Ticketmaster, discutiu no Trapital Summit, em Los Angeles, a competitividade da empresa e as graves acusações de monopólio ilegal. O executivo defendeu a liberdade de escolha dos locais de eventos e admitiu a necessidade de maior transparência com os consumidores diante das críticas ao seu modelo de negócio.

Negócios & Entretenimento Por Ricardo Fernandez | Cronista Judicial

A Batalha pelos Ingressos: Entre a Exclusividade e a Lei

Para quem gosta de shows e grandes eventos, a dinâmica de compra de ingressos pode parecer simples, mas nos bastidores existe uma guerra jurídica e comercial. No evento Trapital Summit, realizado em 15 de setembro de 2026, em Los Angeles, Saumil Mehta, presidente global da Ticketmaster, expôs a visão da empresa sobre as pressões regulatórias que enfrenta, especialmente nos Estados Unidos.

O que é o Modelo de Exclusividade?

É um sistema onde o local do evento (arena ou estádio) assina um contrato com apenas uma única empresa de ingressos. Na prática, se um artista quiser tocar naquele local, ele é obrigado a usar o serviço daquela ticketeira específica.

O Modelo de Atribuição (UK)

Diferente dos EUA, no Reino Unido, várias empresas podem distribuir os ingressos de um mesmo evento, promovendo uma competição mais direta e diversificada.

Mercado Modelo de Negócio Impacto Principal
Estados Unidos Exclusividade Dependência de um único provedor
Reino Unido Atribuição Distribuição entre múltiplos agentes

Acusações de Monopólio Ilegal

A tensão central gira em torno da Live Nation, empresa matriz da Ticketmaster. Um júri teria determinado que a companhia opera um monopólio ilegal. As acusações sugerem que a empresa utilizaria táticas coercitivas, como ameaçar retirar shows de arenas que se recusassem a assinar contratos de exclusividade.

Posicionamento da Empresa

A Live Nation nega sistematicamente essas acusações. Segundo Mehta, a fidelidade dos clientes e a escolha dos locais não ocorrem por coação, mas sim pela melhoria contínua dos produtos e serviços oferecidos.

Transparência e o polêmico "Geo-fencing"

Um dos pontos mais críticos admitidos por Mehta foi a falha na comunicação com o usuário final, especificamente sobre o "geo-fencing".

Entenda o conceito: O Geo-fencing consiste em restringir a compra de ingressos com base no código postal (CEP) do usuário. Essa medida é geralmente solicitada por entidades esportivas para garantir que os torcedores locais tenham prioridade, mas a Ticketmaster admitiu que a falta de clareza sobre essa prática gerou frustração nos consumidores.

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