O caso que abala a prestigiada Universidade de Cornell deixou de ser apenas uma tragédia pessoal para se tornar um escândalo político e judicial nos Estados Unidos. A governadora de Nova York, Kathy Hochul, decidiu intervir, afastando a investigação do promotor distrital do condado de Tompkins, Matthew Van Houten, e nomeando a procuradora-geral do estado, Letitia James, como promotora especial.
Essa intervenção ocorre após a revelação de que a gestão do caso foi, nas palavras da governadora, um "fracasso". O ponto crítico foi a descoberta de que a polícia da universidade teria omitido provas cruciais no relatório enviado à promotoria, silenciando efetivamente o testemunho direto da vítima.
O Fato
Uma estudante de 20 anos, identificada como Jane Doe, denunciou ter sido drogada com cetamina (um anestésico potente) e violentada por várias horas por múltiplos membros da fraternidade Chi Phi em outubro de 2024.
De acordo com a ação civil movida pelo advogado Thomas Giuffra, a situação teria atingido níveis alarmantes de crueldade digital: um dos agressores teria enviado uma mensagem via Snapchat para dezenas de membros, sugerindo que a vítima estava "disponível para sexo gratuito".
O Vazio Legal em Disputa
O promotor Van Houten havia argumentado que não existia crime porque a lei atual de Nova York dificulta a condenação por agressão sexual se a vítima consumiu substâncias voluntariamente, a menos que se prove a total incapacidade física. Diante disso, Hochul prometeu reformar a lei estadual para que a intoxicação não seja considerada uma "licença para o abuso sexual".
Atualmente, a vítima iniciou ações legais contra:
- A Universidade de Cornell.
- Sete ex-membros da fraternidade Chi Phi.
Enquanto alguns acusados negam os fatos através de seus advogados, a Universidade manifestou apoio à nomeação da promotora especial e comprometeu-se a realizar uma auditoria independente sobre a gestão do campus.
Fonte: IMAGO