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Sindicatos rejeitam reforma da previdência na Argentina e alertam para ajuste brutal

16/06/2026 18:47 - Politica

Sala legislativa con representantes gremiales exponiendo ante senadores sobre reforma previsional, ambiente formal con banderas argentinas y documentos en las mesas

Um debate intenso no Senado de Entre Ríos

Na terça-feira, 16 de junho de 2026, as comissões de Orçamento e Fazenda e de Assuntos Constitucionais do Senado da província de Entre Ríos deram continuidade às audiências públicas sobre a reforma previdenciária proposta pelo Poder Executivo provincial. A reunião ocorreu no Salão dos Escudos da Casa de Governo e contou com a presença de 15 senadores.

O contexto é crucial para entender a relevância: na Argentina, diferentemente do Brasil (onde o INSS é nacional), as províncias podem ter seus próprios regimes de aposentadoria, conhecidos como Cajas de Jubilaciones. A província de Entre Ríos está com déficit nesta caixa e busca reformar o sistema, gerando forte rejeição dos sindicatos (chamados de 'gremios' no país vizinho).

UPCN pede uma reforma integral e fixa pontos inegociáveis

A secretária adjunta da UPCN (União do Pessoal Civil da Nação) em Entre Ríos, Carina Domínguez, destacou a importância do diálogo, mas alertou sobre a situação de cozinheiras escolares e trabalhadores da saúde. O sindicato defende uma discussão ampla e não focada apenas no déficit financeiro.

Pontos inegociáveis para o sindicato:
  • Manutenção dos 30 anos de contribuição exigidos para a aposentadoria.
  • Conservação do cálculo do benefício sobre os últimos 120 meses (10 anos) de contribuição, e não mais.

A dirigente enfatizou que a posição da UPCN é construir propostas, não apenas reclamar, pedindo aos legisladores que considerem o difícil momento econômico que os trabalhadores argentinos estão atravessando.

APS rejeita iniciativa e alerta para 'ajuste brutal'

Já a secretária-geral da APS (Associação do Pessoal Superior Municipal), Alejandra Levrand, adotou uma postura de rejeição total ao projeto. Ela criticou duramente a declaração de emergência previdenciária, argumentando que isso concede poderes excessivos ao Executivo provincial.

Um ponto central da crítica da APS é a garantia do '82 por cento móvel'. Este conceito, muito importante na Argentina, estabelece que o salário de aposentadoria deve equivaler a 82% do salário de um trabalhador ativo na mesma categoria. A reforma proposta alteraria a base de cálculo desse valor, estendendo o período de referência de 10 para 20 anos, o que poderia reduzir significativamente o valor inicial da aposentadoria.

Pontos questionados pelo APS
  • Idade mínima de 68 anos
  • Cálculo sobre 20 anos de contribuições
  • Delegação de faculdades ao Executivo
  • Impacto na autonomia municipal
Impacto social
  • Redução drástica do poder de compra
  • Prejuízo para comunas e municípios aderidos
  • Consequências para milhares de famílias

Detalhes do projeto do Executivo

O projeto de 'Restauração do Equilíbrio e Fortalecimento do Sistema Previdenciário' propõe mudanças drásticas para equilibrar as contas da caixa provincial.

AspectoProposta do projeto
Idade de aposentadoria (novos contribuintes)68 anos (idade mínima)
Idade de aposentadoria (geral)65 anos com 35 anos de serviços
Cálculo do benefício82% móvel sobre as últimas 240 remunerações (20 anos)
EmergênciaDura até 31 de dezembro de 2027, com possibilidade de prorrogação
Aporte extraordinárioPara salários acima de $3.000.000 (pesos argentinos)

O que vem pela frente?

A rodada de consultas continuará nos próximos dias. A Multisectorial (aliança de diferentes grupos sindicais e sociais) ratificou sua oposição. Para os brasileiros que acompanham, é importante notar que a 'reforma previdenciária' é um tema tão sensível na Argentina quanto no Brasil, pois afeta diretamente o futuro de servidores públicos e a estabilidade financeira dos governos locais.

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga