Um novo capítulo para o radicalismo bonaerense
A Unión Cívica Radical (UCR), um dos partidos políticos mais tradicionais e centenários da Argentina, deu um passo fundamental em sua reorganização institucional. Com os olhos postos nas próximas eleições, o radicalismo da província de Buenos Aires (a maior e mais populosa província do país, fundamental para a política nacional) celebrou um histórico plenário para definir suas autoridades e seu rumo político, buscando se consolidar como uma alternativa de peso e gestão.
A cúpula em La Plata
No dia 8 de agosto de 2026, o Club Atenas de La Plata (capital da província de Buenos Aires) foi o palco de um encontro que reuniu cerca de 1.000 a 2.000 dirigentes e militantes, incluindo 254 convencionais de 135 distritos. O ato contou com a presença de figuras de destaque como o titular da UCR nacional, Leonel Chiarella, o senador nacional Maximiliano Abad, a deputada Karina Banfi e o ex-vice-governador Daniel Salvador, entre mais de 100 presidentes de comitês distritais.
O que faz a Convenção e o Comitê na UCR?
Na estrutura partidária, o Comitê é o órgão executivo que dirige o dia a dia do partido, enquanto a Convenção é o máximo órgão de governo. Esta última tem a responsabilidade chave de aprovar a plataforma partidária e definir a política de alianças eleitorais, um ponto central de cara ao ano 2027.
Os novos rostos da liderança
Após intensas negociações, foi alcançado um acordo entre as distintas facções que compõem o radicalismo bonaerense. Emiliano Balbín, próximo ao senador Maximiliano Abad, assumiu como presidente do Comitê Provincial. Em seu discurso, Balbín convocou a superar as disputas internas e ratificou a vocação de governo: "Só poderemos construir um acordo eleitoral se primeiro tivermos peso próprio. Somos um partido de poder que vai disputar o poder em cada canto da Província".
Por sua vez, Pablo Nicoletti, referencial platense do espaço Evolução e alinhado com o governador santafesino Maximiliano Pullaro e Leonel Chiarella, assumiu a presidência da Convenção Provincial. Nicoletti enfatizou a necessidade de dar respostas concretas aos bonaerenses: "A unidade não é o objetivo, é a ferramenta. Que se nos escute discutindo o que fazer com a Província e não quem ocupa qual lugar, porque há muitas famílias que estão passando por dificuldades".
A esperada foto de unidade não pôde ser completa. O setor "Construir", liderado pelo ex-prefeito de Trenque Lauquen, Miguel Fernández, decidiu se retirar do ato.
A divergência surgiu pela integração da Junta Eleitoral partidária. O setor de Fernández reclamava contar com um representante próprio, argumentando que o acordo prévio contemplava que todos os setores tivessem representação nos órgãos partidários.
Apesar da saída, os setores que selaram o pacto minimizaram o fato, assegurando que se trata de um grupo minoritário que, apesar das diferenças, não rompeu com o partido.
Olhando para 2027 com esperança
O ato encerrou-se com um forte chamado à militância para liderar a alternativa política frente ao governo provincial. A mensagem final foi clara e entusiasmou os presentes: "Queremos o poder para governar. Queremos governar para transformar. E queremos transformar para que esta Província seja a província onde todos queiram viver".
Leonel Chiarella, titular da UCR nacional, também se referiu ao futuro do partido, definindo-o como "o partido da gestão e dos resultados" e ressaltou que "o poder real o tem a gente para edificar uma alternativa de poder nacional".