O governador de Chubut, Ignacio Torres, alertou que qualquer aliança entre o PRO e a La Libertad Avanza deve se basear em uma agenda de desenvolvimento, não em um simples pacto eleitoral. Em evento da AmCham, também cobrou fundos para combustíveis e abriu espaço para candidaturas de centro.

Mensagem clara no AmCham

O governador de Chubut, Ignacio “Nacho” Torres, participou nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, de um evento organizado pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos na Argentina (AmCham) e deixou uma postura contundente sobre as negociações entre o PRO e a La Libertad Avanza para as eleições de 2027. “Os acordos têm que vir de mãos dadas com o propósito de nos unirmos. A reunião não faz nenhum sentido se for apenas para ganhar uma eleição”, sentenciou.

Torres, que pertence ao PRO (partido de centro-direita fundado por Mauricio Macri), pediu que qualquer entendimento nacional tenha ancoragem programática e não seja apenas uma soma de selos partidários. “Temos que alcançar acordos e consensos fortes o suficiente para não refundar a Argentina a cada quatro anos”, acrescentou.

O exemplo de Chubut

O mandatário patagônico citou como modelo a frente que construiu em sua província, onde convivem peronistas, radicais, PRO e libertários. “O que nos une, o que nos irmana? Uma agenda de desenvolvimento”, explicou. Segundo Torres, essa experiência demonstra que é possível superar diferenças partidárias quando há um objetivo comum: organizar as contas, aproveitar os recursos naturais e gerar emprego privado.

A discussão “pré-ideológica”

Torres reconheceu que o equilíbrio fiscal é um ponto de partida compartilhado por boa parte do sistema político, mas defendeu que o debate deve ir além. “O que fazemos com nossos recursos? Como agregamos valor? Como geramos trabalho?”, questionou. Para o governador, a Argentina precisa de uma agenda parlamentar de longo prazo que evite reabrir a cada quatro anos as mesmas discussões básicas.

Condições para um acordo nacional

De olho na possível aliança entre o PRO e a La Libertad Avanza (partido do presidente Javier Milei), Torres foi explícito: “Tomara que, se houver um acordo nacional entre o PRO e a La Libertad Avanza, ele se dê no marco de uma agenda de desenvolvimento”. E advertiu: “Se não nos colocarmos de acordo para ter uma agenda parlamentar séria que aponte para a Argentina do futuro, não faz nenhum sentido um acordo conjuntural”.

O governador também se referiu à tensão entre as províncias e a Nação pelos fundos do imposto sobre combustíveis líquidos, que têm como destino a manutenção de estradas. Torres lidera uma reclamação que inclui ações na Suprema Corte, e no evento insistiu que a infraestrutura necessária para escoar a produção não se constrói “em uma planilha de Excel”.

Um panorama eleitoral desafiador

Torres enfrenta um cenário complexo em Chubut após o mau resultado de sua força nas eleições de meio de mandato. O peronismo pode lançar o deputado Juan Pablo Luque, que aparece competitivo. Por isso, a possibilidade de somar a La Libertad Avanza à sua aliança não é um tema menor. No entanto, o governador elevou a aposta e condicionou qualquer acordo à existência de um “para quê” claro.

Em sua exposição, também abriu espaço para que surjam candidaturas de centro que disputem votos com Milei, como as postulações de Daniel Hadad e do banqueiro Jorge Brito, presente no encontro. “A democracia é saudável, a competição é saudável. Dizer que João ou Pedro é candidato a presidente atenta contra a mudança; essas são premissas falaciosas, isso é mentira”, afirmou.