Um passo concreto para a água no Norte Argentino
Na sexta-feira, 14 de agosto de 2026, o chefe de Gabinete da Argentina (equivalente ao Chief of Staff), Diego Santilli, e o ministro da Economia, Luis Caputo, viajaram à província de Catamarca para assinar junto aos governadores (chefes de província, equivalentes a governadores de estado) Raúl Jalil (Catamarca) e Elías Suárez (Santiago del Estero) o convênio que dá início à Rede de Aquedutos e Plantas de Tratamento de Água Albigasta.
A obra, financiada com um crédito do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), demandará um investimento de 99.769 milhões de pesos argentinos e beneficiará 35.900 habitantes de ambas as províncias. O projeto contempla a construção de duas plantas de tratamento e 50 quilômetros de aquedutos, com um prazo de execução de 36 meses.
O ato foi realizado no Centro de Arte e Tecnologia Aplicada (CATA) da capital provincial, onde as autoridades nacionais e provinciais encabeçaram uma coletiva de imprensa conjunta. A visita havia sido programada para a semana anterior, mas precisou ser adiada devido a um alerta meteorológico que afetava a região.
O que significa esta obra para a região
Para quem não conhece a geografia argentina, Catamarca e Santiago del Estero são províncias localizadas no norte do país, uma região caracterizada por climas áridos e dificuldades estruturais de acesso à água. O Aqueduto Albigasta visa garantir o acesso a água potável em localidades do leste catamarquenho e santiagueño que hoje dependem de fontes precárias.
Além do abastecimento domiciliar, o projeto busca melhorar a disponibilidade de água para os produtores rurais da zona. Segundo o planejamento oficial, a primeira etapa inclui a construção das duas plantas de tratamento e os aquedutos troncais. A obra é considerada estratégica por ambos os governos provinciais, que veem nela uma grande oportunidade para o desenvolvimento produtivo e a qualidade de vida de seus habitantes.
Agenda federal e gestão de rodovias
A visita não se limitou à assinatura do convênio. No âmbito do encontro, também avançou-se na delegação da gestão integral de diferentes trechos de rodovias nacionais à província de Catamarca. A Vialidad Nacional (Administração Nacional de Estradas da Argentina) esteve representada por seu administrador geral, Marcelo Campoy. Participaram também o vice-chefe de Gabinete do Interior, Gustavo Coria, e o secretário de Coordenação de Infraestrutura do Ministério da Economia, Fernando Herrmann.
Na agenda também constaram conversações sobre o cancelamento de dívidas recíprocas entre o Estado nacional e Catamarca, no âmbito do Regime de Extinção de Obrigações Recíprocas (REOR), uma política argentina de equilíbrio fiscal entre o governo federal e as províncias.
A mensagem de Caputo e Santilli
Durante a coletiva de imprensa, Luis Caputo destacou que 'poder ajudar é uma das razões principais pelas quais estamos nisto' e sublinhou o objetivo de 'fazer um governo muito mais federal, que não esteja centrado em Buenos Aires'.
Por sua vez, Diego Santilli assegurou que 'trabalham para corrigir assimetrias e fazer com que o Norte avance fortemente, no marco do equilíbrio que vivemos em nosso país'.
Contexto político e protestos
A visita inscreve-se em um contexto de clima eleitoral crescente rumo a 2027. O governador Raúl Jalil atravessa movimentos internos no peronismo (principal força política argentina). O governador da província vizinha de La Rioja, Ricardo Quintela, disse que buscará aproximá-lo do peronismo nacional. No próximo ano, Jalil não será candidato a governador e buscará substituí-lo o prefeito Gustavo Saadi.
A jornada não esteve isenta de tensão. O referente do Partido Operário, Pedro Saracho, convocou um protesto contra a chegada dos funcionários nacionais. No entanto, fontes oficiais remarcaron o caráter estritamente institucional da visita e destacaram a importância da obra para o desenvolvimento regional, gerando grandes expectativas de progresso e bem-estar para os habitantes do norte argentino.
Fonte: Dados fornecidos pelo portal https://www.imago.com.ar