A Europa enfrenta um aumento preocupante nas taxas de infecções sexualmente transmissíveis (IST), com casos de gonorreia triplicando em relação a 2015 e sífilis duplicando, segundo o ECDC. Especialistas afirmam que esse crescimento real exige campanhas urgentes de conscientização e testes específicos para conter a propagação.

O ressurgimento das infecções sexualmente transmissíveis na Europa

A Europa está vivenciando um aumento notável e preocupante nas taxas de infecções sexualmente transmissíveis (IST). Segundo dados do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), o ano de 2024 registrou números alarmantes que superam amplamente os registros da última década.

Gonorreia em alta

Foram reportados cerca de 100.000 casos na Europa, o que representa mais do que o triplo dos casos registrados em 2015.

Sífilis em aumento

Os casos mais que dobraram, alcançando aproximadamente 46.000 contágios no continente.

Um fenômeno real, não apenas estatístico

Alguns podem pensar que o aumento se deve apenas a uma maior quantidade de testes de detecção. No entanto, a Dra. Stela Bivol, diretora do escritório europeu da OMS para IST, esclarece que 'está ocorrendo um verdadeiro aumento da transmissão'. Embora os casos tenham caído durante a pandemia de COVID-19, a reabertura social pós-2021 disparou os contágios de forma sustentada.

Quais são as possíveis causas?

  • Menor uso de preservativos: Um estudo da OMS entrevistou quase 250.000 jovens de 15 anos entre 2014 e 2022, encontrando uma diminuição significativa no uso declarado de proteção.
  • Profilaxia Pré-Exposição (PrEP): Essa pílula contra o HIV tem sido muito eficaz, mas alguns especialistas sugerem que seu uso pode estar levando mais homens a dispensar o preservativo.
  • Aplicativos de namoro: Embora se tenha culpado a promiscuidade facilitada por apps, o Dr. Henry de Vries alerta que esses aplicativos existiam muito antes do aumento das IST, portanto a evidência é escassa.

Rumo a uma solução: prevenção e sem estigma

Em nível populacional, o maior aumento ocorreu em pessoas de 20 a 34 anos, afetando tanto homens quanto mulheres heterossexuais. Geograficamente, o aumento abrange todo o continente, com destaque para a Bulgária, França, Itália, Bélgica e Hungria.

Para reverter essa tendência, os especialistas sugerem melhorar o acompanhamento epidemiológico e realizar testes específicos, como o rastreamento de sífilis em gestações. Um exemplo positivo é a Hungria: após passar de 3 casos de sífilis congênita em 2020 para 91 em 2024, implementaram um rastreamento muito mais rigoroso que está começando a dar resultados. Reduzir o estigma em relação a grupos vulneráveis é essencial para incentivar mais pessoas a fazerem testes e tratamentos a tempo.

Fonte original: Infobae / The Economist