Um informe do New York Times revela que a pandemia de COVID-19 aprofundou a crise dos pacientes com doenças pouco frequentes na Argentina. A falta de especialistas, atrasos em diagnósticos e o colapso sanitário deixaram milhares de pessoas sem tratamento oportuno, em um país onde estas patologias afetam mais de 3 milhões de pessoas.

A crise silenciosa das doenças pouco frequentes na Argentina

Um artigo recente do New York Times colocou o foco em um problema que afeta milhões de argentinos: as doenças pouco frequentes (DPF). Segundo o informe, a pandemia de COVID-19 não só tensionou o sistema de saúde, mas também aprofundou as barreiras existentes para o diagnóstico e tratamento dessas patologias, que na Argentina afetam mais de 3 milhões de pessoas.

Para entender a dimensão do problema, é importante contextualizar: a Argentina tem aproximadamente 46 milhões de habitantes, o que significa que cerca de 6,5% da população convive com alguma doença pouco frequente. As DPF são aquelas que afetam menos de 1 em cada 2.000 habitantes. Estima-se que existam entre 6.000 e 8.000 doenças desse tipo no mundo, muitas delas genéticas e crônicas. Na Argentina, a Lei 26.689 (sancionada em 2011) garante o acesso a diagnóstico, tratamento e acompanhamento, mas sua implementação continua sendo desigual.

O que diz o informe do NYT?

O artigo documenta casos reais de pacientes que esperaram anos para obter um diagnóstico, a falta de especialistas no sistema público e o impacto do colapso sanitário durante a pandemia, que interrompeu tratamentos e acompanhamentos médicos. O jornal também destaca que a Argentina, apesar de ter uma lei específica desde 2011, ainda não possui um registro nacional unificado de pacientes, o que dificulta políticas públicas efetivas.

O impacto da pandemia

Durante a emergência sanitária (2020-2021), muitos hospitais de referência suspenderam consultas programadas e cirurgias. Para os pacientes com DPF, isso significou a interrupção de terapias essenciais, a impossibilidade de acessar medicamentos de alto custo e o atraso em diagnósticos que, em alguns casos, resultou fatal. O sistema de saúde argentino, que já era fragmentado entre os setores público, privado e de obras sociais (seguros de saúde sindicais), viu suas debilidades estruturais expostas de forma cruel.

O informe também destaca que apenas 30% dos pacientes com DPF na Argentina consegue um diagnóstico certeiro, e muitos demoram entre 5 e 10 anos para obtê-lo. A falta de registros nacionais atualizados e a escassa formação médica nessas patologias são apontadas como causas principais. Essa realidade coloca a Argentina em desvantagem em relação a países como Brasil, que possui um protocolo nacional de DPF mais estruturado.

Dados-chave para entender a magnitude

IndicadorDado
Pessoas afetadas na ArgentinaMais de 3 milhões
Doenças pouco frequentes identificadasEntre 6.000 e 8.000
Tempo médio para diagnóstico5 a 10 anos
Pacientes com diagnóstico certeiroApenas 30%
Lei que garante atendimentoLei 26.689 (2011)

O que se reivindica

Organizações de pacientes e especialistas consultados pelo NYT coincidem na necessidade de:

  • Criar um registro nacional de pacientes com DPF.
  • Fortalecer a formação médica em doenças pouco frequentes.
  • Garantir a cobertura de medicamentos de alto custo em todo o país.
  • Reduzir os tempos de diagnóstico com redes de referência.

A pandemia deixou uma lição: o sistema de saúde argentino precisa estar preparado para não deixar para trás os pacientes mais vulneráveis, mesmo em crise. A visibilização desse problema é o primeiro passo para construir soluções. Para a comunidade internacional, o caso argentino serve como alerta sobre a importância de políticas públicas robustas para doenças raras, especialmente em cenários de emergência sanitária.

Fonte: New York Times (21/08/2026)

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