Em um acordo histórico, a Meta resolveu uma ação movida por procuradores de 47 estados dos EUA que a acusavam de projetar suas plataformas para gerar vício em menores. A empresa pagará um valor recorde e modificará seus produtos para adolescentes, embora ONGs considerem a medida insuficiente.

Um acordo sem precedentes

A Meta, empresa controladora do Instagram e do Facebook, chegou a um acordo com os procuradores-gerais de 47 estados, do Distrito de Columbia e de territórios dos Estados Unidos para encerrar uma ação que a acusava de ter projetado suas plataformas com mecanismos viciantes direcionados a menores. A notícia foi confirmada pelo jornal The New York Times e replicada pela TN.

O acordo, que põe fim a um julgamento realizado no Distrito Norte da Califórnia (Oakland), prevê um pagamento inicial de aproximadamente US$ 12 bilhões, ao qual se somariam US$ 5 bilhões adicionais se outras plataformas como Snap, TikTok e YouTube também chegarem a acordos semelhantes. Dessa forma, o valor total potencial chega a US$ 17,1 bilhões, embora outras fontes como Página/12 e IOL reportem valores de US$ 16,7 bilhões e US$ 16,68 bilhões, respectivamente.

Além disso, a Meta alcançou um acordo separado com o estado do Texas por cerca de US$ 1 bilhão, elevando o desembolso total combinado para mais de US$ 18 bilhões. A ação original, movida pelos estados, buscava uma compensação de aproximadamente US$ 200 bilhões.

Valores do acordo

ConceitoValor (US$)
Pagamento inicial12 bilhões
Pagamento adicional (se outras plataformas aderirem)5 bilhões
Total potencial17,1 bilhões
Acordo com o Texas1 bilhão
Total combinadoMais de 18 bilhões

Mudanças nos produtos para adolescentes

Como parte do acordo, a Meta implementará uma série de modificações em suas plataformas para usuários adolescentes nos Estados Unidos. Entre as mudanças mais destacadas estão:

  • Fim do scroll infinito (rolagem infinita).
  • Limite de tempo diário de 2 horas no Instagram e no Facebook.
  • Restrição de uso entre a meia-noite e as 6h da manhã.
  • Notificações silenciadas entre as 22h e as 7h.
  • Limitação de filtros de beleza e da contagem de curtidas.
  • Reforço da verificação de idade e dos controles parentais.

Essas medidas buscam mitigar o impacto negativo que as redes sociais podem ter na saúde mental dos jovens, um tema que tem gerado crescente preocupação na sociedade e entre os reguladores.

Contexto legal e reações

O acordo não isenta a Meta de outras ações. A empresa ainda enfrenta processos movidos por distritos escolares e particulares. Além disso, em março deste ano, a Meta e o YouTube perderam um caso de danos pessoais e tiveram que pagar US$ 6 milhões. Um juiz do Novo México também ordenou que a Meta pagasse quase US$ 1 bilhão em multas.

Organizações não governamentais, como Save The Children e a Plataforma de Infância, consideraram o acordo “insuficiente”. Elas pedem que a Meta proteja os menores “desde a origem”, sem depender de ações judiciais, e reivindicam que a publicidade comportamental direcionada a menores seja desativada por padrão, bem como a eliminação dos mecanismos que geram vício. Também solicitam regulamentações mais amplas, como avaliações de impacto, verificação de idade e auditorias externas. Elas apontam que o acordo não aborda conteúdos nocivos como violência sexual, bullying ou proteção de dados.

Por enquanto, a Meta não implementará essas medidas fora dos Estados Unidos, o que tem gerado críticas em nível internacional.

Impacto no mercado

Após o anúncio, as ações da Meta subiram 1,3%, alcançando um valor de mercado de US$ 1,47 trilhão. A empresa reportou receitas trimestrais recentes de US$ 60,8 bilhões.

No âmbito financeiro, o portal IOL emitiu um sinal de compra para as ações da Meta em 26 de agosto de 2026, com preço de entrada de US$ 574, preço-alvo de US$ 656 e stop loss em US$ 526. A relação risco/retorno é de 1,7x, com RSI de 48 (zona neutra) e P/L de 21,64x, na parte baixa de sua faixa de três anos (19x-36x).

Este acordo marca um marco na regulamentação das redes sociais e estabelece um precedente para outras empresas de tecnologia, embora as organizações de infância insistam que é necessária uma mudança mais profunda para proteger os menores no ambiente digital.

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