Em uma descoberta que poderá reescrever os livros de astronomia, pesquisadores liderados por Mustafa Muhibullah, da Universidade do Alabama, identificaram uma nova categoria de corpos celestes denominados "fontes de raios X hipersuaves" (do inglês, hypersoft X-ray sources). O estudo, publicado na renomada revista Nature Astronomy, foi possível graças à análise minuciosa de dados do Observatório de Raios X Chandra da NASA.
Esses objetos permaneceram invisíveis por décadas devido a uma característica peculiar: eles emitem raios X de energia extremamente baixa e, simultaneamente, níveis intensos de radiação ultravioleta (UV). Na prática, eles aparecem em imagens de baixa energia, mas desaparecem completamente em frequências altas, o que os tornava virtualmente indetectáveis para as técnicas de observação convencionais até agora.
Onde foram encontrados?
A equipe localizou os 84 objetos distribuídos em seis galáxias distintas, provando que esse fenômeno ocorre em diferentes ambientes espaciais:
| Galáxia | Tipo de Galáxia |
|---|---|
| M31 (Andrômeda) | Espiral |
| M101 (Catavento) | Espiral |
| 4 Galáxias Adicionais | Elípticas (Estrelas Antigas) |
*Nota: Andrômeda é a galáxia vizinha mais próxima da nossa Via Láctea.
O que seriam esses objetos?
A principal hipótese científica sugere que estamos diante de sistemas binários. Imagine duas estrelas orbitando entre si, onde uma delas é um objeto compacto (como um buraco negro, uma estrela de nêutrons ou uma anã branca) que "rouba" matéria de sua estrela companheira.
Esse material, ao ser sugado e cair no objeto compacto, aquece a temperaturas extremas, gerando a assinatura de radiação observada pelos cientistas.
Chaves para Dois Grandes Mistérios
A descoberta não é apenas curiosidade catalográfica; ela pode resolver questões que intrigam a ciência há décadas:
1. Supernovas do Tipo Ia
Estas explosões são usadas como "velas padrão" para medir a distância de galáxias e a expansão do universo. Acredita-se que essas fontes hipersuaves sejam os precursores dessas supernovas. Se confirmado, os astrônomos poderão detectar a estrela antes de ela explodir.
2. Ionização Galáctica
A radiação UV massiva emitida por esses objetos poderia ser a resposta para a ionização do gás interestelar (quando átomos perdem elétrons). Esse processo é fundamental para entender como as estrelas nascem e como as galáxias evoluem.
Por que demoramos tanto para vê-los?
O desafio era técnico e físico. Além da baixa energia dos raios X, a radiação ultravioleta é absorvida pelos gases de hélio e hidrogênio que preenchem o espaço entre as estrelas. Esse gás funciona como uma cortina cósmica, escondendo os objetos dos telescópios.
O sucesso da equipe veio ao aplicar técnicas inovadoras de análise em dados já existentes, provando que a reavaliação de arquivos públicos de ciência pode gerar descobertas revolucionárias.
"Esta descoberta abre uma nova janela para o estudo de sistemas binários compactos e seu papel na evolução das galáxias"
— Mustafa Muhibullah, pesquisador principalAgora, o próximo passo envolve observações com telescópios terrestres e espaciais para confirmar a natureza exata desses objetos e consolidar a teoria sobre as supernovas Tipo Ia.
Fonte: NASA - Observatório Chandra