14/06/2026 12:35 - Internacionales
Columnas de humo negro elevándose sobre los edificios del barrio del Dahye en Beirut tras bombardeos israelíes, con calles llenas de escombros y residentes huyendo de la zona
O conflito no Oriente Médio vive um dia crítico neste 14 de junho de 2026. Enquanto Estados Unidos e Irã negociam um acordo de paz que poderia ser assinado nas próximas horas, Israel intensificou seus ataques contra o Hezbollah com bombardeios em Beirute e mais de 70 objetivos no sul do Líbano, gerando preocupação sobre a viabilidade do entendimento diplomático.
O Hezbollah é uma organização política e militar xiita libanesa, considerada um dos grupos mais poderosos do Oriente Médio. Fundado em 1982, é apoiado pelo Irã e atua principalmente no sul do Líbano. O grupo é classificado como terrorista por Israel, EUA e vários países europeus, mas mantém representação no parlamento libanês e presta serviços sociais à população.
O Exército israelense atacou neste domingo objetivos do grupo xiita Hezbollah no bairro do Dahye, situado nos subúrbios do sul de Beirute, considerado um bastião do movimento pró-iraniano. Segundo a Defesa Civil do Líbano, foram recuperados os corpos de três pessoas falecidas entre os escombros, enquanto seis feridos foram transferidos para hospitais após o bombardeio na zona de Ghobeiry, província do Monte Líbano.
A Agência Nacional de Notícias libanesa (ANN) informou que as explosões afetaram várias localidades, incluindo Nabatieh al Fawqa e Jezzine, onde morreu Ali Badi, responsável administrativo da localidade de Al Rayan. Outro cidadão libanês perdeu a vida em um ataque aéreo sobre Kfar Remmam.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) informaram que nas últimas 24 horas atacaram mais de 70 infraestruturas terroristas do Hezbollah, incluindo lançadores e estruturas utilizadas pelo grupo. O Exército também confirmou a morte de militantes do Hezbollah em posições onde operam as tropas israelenses no sul libanês.
Israel ordenou a evacuação de uma vintena de localidades na região de Nabatieh, em resposta ao lançamento de projéteis pelo Hezbollah que atingiram território israelense e foram interceptados.
O negociador-chefe iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, advertiu neste domingo que "é impossível falar em continuar" com os Estados Unidos se não houver "vontade ou capacidade para cumprir seus compromissos", em referência ao acordo de paz. "O jogo do policial bom e do policial mau já está ultrapassado", acrescentou em mensagem na rede social X.
Uma delegação do Catar chegou neste domingo a Teerã no âmbito das conversações para pôr fim à guerra. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ismail Baghai, disse ontem que "existe alta probabilidade de que o memorando de entendimento seja finalizado nos próximos dias".
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo governo atua como mediador entre Irã e Estados Unidos, afirmou no sábado que um acordo de paz "provavelmente será finalizado nas próximas 24 horas".
Os ministros ultranacionalistas Itamar Ben Gvir (Segurança Nacional) e Bezalel Smotrich (Finanças) pressionaram por novos ataques contra o Líbano. "Para cada drone - míssil. Para cada violação - fogo. Para cada VANT - o Dahye deve tremer", afirmou Ben Gvir no X. Smotrich instou a "derrubar edifícios em Dahiyeh" e forçar o deslocamento da população libanesa.
O Exército israelense informou que foram identificados dois impactos de objetivos aéreos suspeitos perto da fronteira entre Israel e Líbano, sem registrar feridos.
O conflito entre Israel e Irã se intensificou desde 28 de fevereiro de 2026, deixando mais de 3.700 mortos no Líbano. O acordo de paz mediado por Paquistão, Catar, Egito e Turquia busca impedir uma guerra regional que poderia desestabilizar o fornecimento de petróleo mundial através do Estreito de Ormuz, por onde circula 20% do petróleo global. O petróleo Brent cotiza a USD 88,27/barril após queda de 2,3% pelas expectativas de paz.
As forças de Israel informaram que estão se preparando para um possível ataque de represália "nas próximas horas", depois de bombardear os subúrbios do sul de Beirute. O ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, afirmou que o Exército manterá sua presença no sul libanês.
Em outro desenvolvimento, o presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdillahi, iniciou neste domingo sua primeira visita oficial a Israel, onde foi recebido pelo presidente Isaac Herzog. Israel reconheceu a Somalilândia como Estado independente em 26 de dezembro passado.
Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia debaterão nesta segunda-feira em Luxemburgo a possibilidade de vetar importações de produtos de assentamentos israelenses ilegais. Também será discutido sancionar os ministros extremistas Ben Gvir e Smotrich, embora Alemanha e outros países não apoiem esta medida.
O Brasil mantém relações diplomáticas com todos os países envolvidos e uma grande comunidade árabe. O aumento do preço do petróleo afeta diretamente a economia brasileira. Além disso, o país tem sido um defensor histórico de soluções pacíficas para conflitos no Oriente Médio.
Fontes: Infobae, Deutsche Welle, Reuters, AFP, EFE
Alfredo S. Quiroga
Conspiraciones