15/06/2026 09:35 - Internacionales
Mesa electoral con votos siendo contados, observadores supervisando el proceso, banderas peruanas difusas en el fondo, iluminación dramática
O Peru vive um verdadeiro cabo de guerra democrático. Com um eleitorado de 18 milhões de pessoas, a diferença entre as duas principais forças políticas se reduziu a uma margem estatisticamente irrelevante de 9.125 votos. Para contextualizar, essa diferença é menor que a lotação de muitos estádios de futebol no Brasil, demonstrando como cada voto é crucial neste cenário de tensão máxima.
Neste sábado, 14 de junho de 2026, a candidata Keiko Fujimori, líder do partido de direita Fuerza Popular, rejeitou categoricamente a proposta de realizar uma recontagem total dos votos. Seu argumento baseia-se na estrita legalidade peruana, sustentando que a lei eleitoral só prevê revisão para "atas observadas" (cédulas com inconsistências) e não para o total geral.
"A democracia está baseada em regras, leis e na Constituição", declarou Fujimori, enfatizando que apenas os Jurados Eleitorais Especiais (JEE) têm autoridade para decidir sobre revisões.
Do outro lado, o candidato Roberto Sánchez, de Juntos por el Perú (força política de centro-esquerda), propôs uma revisão exaustiva para garantir transparência. Sánchez argumenta que existem indícios de irregularidades que justificam uma auditoria completa antes da proclamação do vencedor.
Contexto para o leitor brasileiro: No Peru, assim como no Brasil, as eleições são muito polarizadas. Keiko Fujimori é uma figura conhecida, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, e sua base política (o "fujimorismo") é muito forte, mas também muito contestada. Roberto Sánchez, por sua vez, representa uma alternativa de esquerda em um país com grande instabilidade política recente.
| Dado | Valor |
|---|---|
| Mesas apuradas | 98,4% |
| Diferença de votos | 9.125 |
| Eleitorado total | 18 milhões |
| Atas observadas | 1.479 |
| Votos em jogo nas atas | ~400.000 |
Para o eleitor brasileiro acostumado com a apuração eletrônica rápida, o sistema peruano pode parecer complexo. As atas observadas são registros físicos de votação de uma mesa que apresentam erros de preenchimento, rasuras ou contestações feitas pelos fiscais dos partidos durante a apuração.
Esses documentos não entram na contagem oficial imediata. Eles devem ser revisados manualmente. Neste cenário, existem 1.479 atas pendentes que contêm cerca de 400.000 votos. Como a diferença é de apenas 9.125, esses votos "em espera" são mais que suficientes para virar o resultado.
Solicita-se a anulação de cerca de 2.400 atas por supostas irregularidades e problemas no transporte de material do exterior. É uma estratégia para diminuir a margem adversária.
O fujimorismo rejeita a anulação em massa e foca em defender os resultados atuais, argumentando que as regras foram acordadas antes do pleito e devem ser respeitadas.
O Jurado Nacional de Elecciones (JNE), equivalente ao nosso TSE, tem prazos de até três dias úteis por recurso. A expectativa é que o nome do presidente eleito seja proclamado apenas em meados de julho de 2026.
Enquanto isso, o Peru aguarda ansiosamente, com a certeza de que cada ato judicial e cada ata revisada pode alterar o destino do país em uma das democracias mais instáveis da América do Sul.
Alfredo S. Quiroga
Conspiraciones