15/06/2026 12:38 - Politica
Edificio del Congreso Nacional con banderas argentinas, ambiente de sesión parlamentaria con tensión política, documentos sobre escritorios
Manuel Adorni atravessa a crise política mais severa desde sua posse como Chefe de Gabinete (equivalente ao Chefe da Casa Civil no Brasil). A admissão de ter omitido USD 500.000 em suas declarações juradas desencadeou uma tempestade que ameaça desestabilizar a gestão libertária em pleno momento de conquistas macroeconômicas.
O funcionário justificou o incremento patrimonial de $20 milhões para $944 milhões de pesos argentinos — um aumento de 775% — argumentando um investimento em Bitcoin realizado entre 2013 e 2018. No entanto, a explicação não convenceu a oposição nem aliados do oficialismo.
A oposição avança com determinação. A moção de censura já acumula 120 assinaturas na Câmara dos Deputados, a apenas 9 votos dos 129 necessários para aprová-la. No Senado seriam necessários 37 votos adicionais.
Nota: A moção de censura é um mecanismo constitucional argentino que permite ao Congresso destituir funcionários do Executivo por mau desempenho ou conduta inadequada. No Brasil, o equivalente mais próximo seria o processo de impeachment, mas com requisitos diferentes.
| Casa Legislativa | Assinaturas atuais | Necessárias | Diferença |
|---|---|---|---|
| Deputados | 120 | 129 | -9 |
| Senado | Em negociação | 37 | - |
Victoria Villarruel (Vice-presidente da Argentina) convocou a Labor Parlamentar para 18 de junho de 2026, enquanto a sessão especial está programada para depois da Copa do Mundo de Futebol.
O escândalo expôu fissuras no governo. Patricia Bullrich, Ministra da Segurança e presidente do partido PRO (Proposta Republicana), se desmarcou com uma frase contundente: "Isto é mais que um erro, é uma omissão ética". O setor do PRO, aliado de Milei, condicionou seu respaldo à saída do funcionário.
Contexto: Patricia Bullrich é uma figura central na política argentina, ex-ministra em governos anteriores e líder do partido centrodireita PRO, que faz parte da coalizão que apoia o governo libertário de Javier Milei.
Karina Milei, irmã do presidente e Secretária Geral da Presidência (uma figura de enorme influência no governo), teria começado a se distanciar de Adorni, concedendo liberdade aos ministros para opinar sobre o caso. Esta decisão poderia ser interpretada como um sinal de que o Chefe de Gabinete perdeu um aliado fundamental.
Segundo o Estudio Enter, as menções negativas sobre Adorni dispararam de 135.000 para 323.000, enquanto seu nível de rejeição na opinião pública atinge 80%.
Javier Milei reafirmou seu respaldo a Adorni em 15 de junho de 2026 com uma publicação contundente: "Se há ainda que seja 1% de possibilidade, lute 100%".
O presidente avalia nomear novamente Adorni por decreto se o Congresso o destituir. Luis Caputo, Ministro da Economia, teria ameaçado renunciar se o caso não for encerrado.
O juiz Ariel Lijo investiga a possível prática de crimes de lavagem de ativos e enriquecimento ilícito. Adorni, sua esposa e aproximadamente 30 funcionários se inscreveram no regime de Inocência Fiscal, um mecanismo que permite regularizar ativos não declarados.
Contexto: O regime de Inocência Fiscal é uma ferramenta argentina similar a programas de regularização de ativos no Brasil, permitindo que cidadãos declarem bens não informados anteriormente mediante o pagamento de impostos e multas reduzidas.
Um ex-titular da UIF (Unidade de Informações Financeiras da Argentina, equivalente à COAF brasileira) alertou que existe risco de investigação por lavagem de ativos dado o incremento patrimonial sem justificativa clara.
A crise política se produz em meio a indicadores econômicos favoráveis: a consultora S&P melhorou a classificação de Argentina de CCC+ para B-, o risco país caiu para 437 pontos básicos (mínimo desde maio de 2018) e a inflação de maio se situou em 2,1% mensal.
No entanto, o caso Adorni ofusca estas conquistas. O Financial Times publicou uma nota crítica sobre o escândalo, gerando preocupação no mercado financeiro internacional.
Fontes: El Día, Estudio Enter, Câmara dos Deputados da Argentina, Juizado Federal de Ariel Lijo.
Alfredo S. Quiroga
Conspiraciones