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Irã apresenta acordo com EUA como vitória enquanto enfrenta fraturas internas

17/06/2026 03:08 - Internacionales

Representación visual de un acuerdo diplomático histórico entre dos naciones, con diplomáticos estrechándose la mano frente a banderas nacionales en un entorno de negociación formal, iluminación que transmite esperanza pero también tensión

Uma oportunidade que pode não se repetir

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, instou nesta terça-feira a capitalizar o acordo marco alcançado com os Estados Unidos para pôr fim a mais de três meses de guerra, assegurando que o país não pode desperdiçar uma oportunidade que poderia contribuir para reverter a profunda crise econômica que atravessa a nação persa.

As palavras do mandatário iraniano

"Não devemos deixar passar esta oportunidade, que poderia tirar o país de sua situação atual. Pode ser que não volte a se apresentar".

Masoud Pezeshkian, presidente do Irã

Em declarações divulgadas pela agência estatal ISNA, o mandatário definiu o entendimento com Washington como um avanço diplomático de grande relevância para Teerã. Pezeshkian, considerado uma das figuras mais moderadas dentro da dirigência iraniana, respaldou desde o início as gestões diplomáticas encabeçadas pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o chanceler Abbas Araghchi.

🟢 A narrativa oficial de "vitória"

  • • Irã não se rendeu nem foi derrubado
  • • Programa nuclear segue em pé
  • • Vínculos com Hezbollah se mantêm
  • • Líbano incluído no marco do acordo
  • • Possível alívio de sanções econômicas

⚫ As críticas internas

  • • Jornal Kayhan: "capitulação diplomática"
  • • Deputado de linha dura: "colônia estadunidense"
  • • Acusações de ignorar diretrizes do líder supremo
  • • Khorasan: "pausa tática, não paz"
  • • Setores denunciam apaziguamento

Duas fases de negociação

O chanceler Abbas Araghchi explicou que as conversações foram divididas em duas etapas devido à complexidade dos temas em discussão:

Fase Conteúdo Estado
Primeira Detar combates, reabertura Estreito de Ormuz, levantar bloqueio marítimo, mecanismos de reconstrução Concluída
Segunda Programa nuclear, levantamento de sanções, termos definitivos do fim de guerra 60 dias de negociação

⚠️ O fator econômico: a verdadeira pressão

Além da narrativa política, a situação econômica obrigou Teerã a atuar. A guerra, as sanções internacionais, as restrições ao transporte marítimo, o acesso limitado a mercados petrolíferos e uma inflação muito elevada asfixiaram tanto o país quanto os cidadãos iranianos comuns.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que o Irã não receberia dinheiro dos contribuintes estadunidenses, mas que poderia acessar bilhões de dólares se cumprir seus compromissos e as sanções forem aliviadas.

A incerteza sobre Israel

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou as informações que apontam para uma retirada israelense do sul do Líbano, assegurando que as forças israelenses permanecerão lá "o tempo que for necessário".

Donald Trump criticou publicamente a atuação de Israel no Líbano, assinalando que "morreu gente demais". Para Teerã, esta fricção visível entre Washington e Israel resulta útil, embora também torne o acordo frágil: se Israel continuar suas operações no Líbano, o Irã se verá pressionado a responder.

📅 Dados-chave do acordo

📅 Assinatura oficial: 19 de junho de 2026

📍 Local: Bürgenstock, Suíça

⚔️ Início do conflito: 28 de fevereiro de 2026

💀 Vítimas: Mais de 3.700 mortos

🛢️ Estreito de Ormuz: 20% do petróleo mundial

⏱️ Negociações fase 2: 60 dias

O que significa para os iranianos?

Para muitas famílias iranianas, a questão não é se o acordo soa a vitória, mas se conseguirá baixar os preços e reduzir o temor a uma nova guerra. Um cidadão comentou ao Serviço Persa da BBC: "Acho que é algo temporário, mas precisávamos de uns meses de respiro e calma".

O sucesso do memorando não se medirá em slogans oficiais, mas em função de se cessa a guerra, se moderam os preços, se chega o alívio das sanções e se os dirigentes conseguem gerir a seguinte fase sem que se produza outra escalada repentina.

Fontes: Infobae | BBC Mundo
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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga