18/06/2026 15:40 - Internacionales
Un drone volando de noche sobre una ciudad con columnas de humo negro y el Kremlin iluminado al fondo, cielo con destellos de defensas antiaéreas, escena de ataque militar moderno
Na terça-feira, 16 de junho de 2026, Rohoza Mykhailo — um veterano ucraniano residente no Canadá conhecido no X (antigo Twitter) como @Oct7NeverForget — publicou uma imagem que parecia mais uma provocação simbólica: um Tryzub (o escudo com o tridente, símbolo nacional da Ucrania) sustentado por uma mão sobre a Plaza Roja de Moscou, com o Kremlin e a catedral de São Basílio ao fundo.
Para quem não conhece, o Tryzub é o brasão de armas da Ucrânia, um símbolo milenar de independência e identidade nacional. A frase que acompanhava o meme era contundente: 'Estamos mais perto do que pensam'. A publicação acumulou mais de 2 milhões de visualizações, gerando reações furiosas de usuários russos e uma cadeia de contramemes.
O que então parecia apenas uma provocação virtual ganhou dimensão real nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, quando a Ucrânia lançou uma ofensiva aérea sem precedentes contra a capital russa.
Cerca de 200 drones dirigiram-se à cidade de 13 milhões de habitantes em múltiplas ondas. O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, informou que a defesa antiaérea interceptou 194 aparelhos, embora vários tenham conseguido atingir objetivos estratégicos.
Ao todo, em toda a Rússia, as baterias antiaéreas derrubaram 555 drones, segundo o Ministério da Defesa russo. Este é o maior ataque sofrido pela megalópole desde o início da guerra em 2022, segundo alguns meios, enquanto a agência russa TASS o classificou como o mais grave em dois anos.
O alvo mais atingido foi a refinaria de Kapotnia, propriedade do conglomerado Gazprom Neft, localizada no sudeste da cidade, a apenas 15 quilômetros do Kremlin.
Esta instalação é crucial para a logística russa, processando:
O incêndio desencadeado pelo ataque gerou colunas de fumaça preta visíveis de toda a cidade e até do espaço, segundo imagens de satélite divulgadas nas redes sociais.
As autoridades da região de Moscou reportaram:
Pela primeira vez, alertas de ameaça de mísseis foram ativados na região de Novgorod, localizada entre Moscou e São Petersburgo.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, justificou a ofensiva em uma mensagem de voz enviada ao grupo de WhatsApp de jornalistas que cobrem a atualidade ucraniana:
'Claro que não queremos que a Ucrânia queime por causa do inimigo, mas se a Ucrânia queimar, Moscou também vai queimar'
Nessa mesma mensagem, Zelensky reiterou sua oferta a Vladimir Putin para declarar um cessar-fogo imediato e negociar o fim do conflito. O mandatário encontra-se atualmente em Bruxelas, buscando mais apoio militar e avançando na integração europeia.
Mykhailo Podolyak, conselheiro presidencial ucraniano, foi mais direto perante os meios russos: 'O petróleo era o principal instrumento da guerra. Sem petróleo, não haverá guerra'.
A deterioração da planta agrava um desabastecimento que já afeta 53 regiões russas, onde foram impostas restrições no fornecimento de combustível, segundo o portal The Bell.
A ofensiva contrasta com as declarações recentes de Putin, que assegurou que apenas uns poucos drones conseguiam superar as defesas antiaéreas russas. Há apenas dois dias, Andrei Kartapolov, chefe do comitê de Defesa da Duma (o parlamento russo), afirmou que a Rússia conta com o melhor sistema antiaéreo do mundo e que Moscou não precisava de medidas de segurança adicionais.
Este ataque ocorre no âmbito da guerra iniciada em fevereiro de 2022, enquanto a Rússia continua sua ofensiva contra a Ucrânia. Desde o início da guerra, Moscou afirma ter derrubado 164.703 drones ucranianos no total.
O ataque também segue o bombardeio russo contra uma catedral histórica de Kyiv, o que motivou a resposta ucraniana. Zelensky advertiu que, se os combates não cessarem, o próximo inverno será mais difícil para os cidadãos russos do que para os ucranianos, que continuam desenvolvendo drones e mísseis de longo alcance.
Alfredo S. Quiroga