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Tragédia na Argentina: especialista explica por que baterias de lítio explodem e como evitar

19/06/2026 21:11 - Actualidad

Batería de ion de litio en un celular mostrando síntomas de sobrecalentamiento y riesgo de explosión

Um caso que choca a Argentina e alerta o mundo

A morte de María Lucila Pagani, de 47 anos, docente e pesquisadora da Universidade Nacional de Córdoba (UNC), após a explosão de seu celular enquanto carregava dentro de um veículo, trouxe à tona os riscos ocultos no uso cotidiano de dispositivos com baterias de íons de lítio. O especialista do CONICET (Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas, equivalente ao CNPq no Brasil), Arnaldo Visintin, pesquisador em energias alternativas, explicou ao site Infobae as causas desses incidentes e as medidas de prevenção necessárias.

Córdoba é a segunda maior cidade da Argentina, localizada no centro do país, e a UNC é uma das universidades mais prestigiadas da América Latina.

Por que as baterias de íons de lítio explodem?

Visintin descreveu o funcionamento interno de uma célula de lítio: "Uma célula é composta por dois eletrodos, sendo um o ânodo e outro o cátodo. Os íons de lítio navegam em um solvente orgânico, que é o causador da explosão".

As explosões costumam ocorrer por:

  • Falhas no sistema de gestão eletrônica (BMS) - o circuito que controla a carga e descarga da bateria
  • Sobreaquecimento - exposição a temperaturas elevadas

Quando o potencial entre os dois eletrodos supera os 5,1 volts, o eletrólito se decompõe, gerando gases que aumentam a pressão interna e podem provocar ignição.

Sinais de alerta e fatores de risco

O especialista alertou sobre um sinal claro de perigo: a inflamação da bateria.

"Primeiro, vemos que incha. Os gases formados pela decomposição do solvente aumentam a pressão e a incham. Depois de inchar, produz fumaça e fogo".

Outros fatores que aumentam o risco:

  • Uso de carregadores não originais
  • Exposição ao calor (como dentro de um carro ao sol)
  • Golpes ou danos físicos
  • Carga prolongada sem supervisão

A composição da bateria importa

Visintin recomendou consultar a composição do cátodo ao adquirir um novo dispositivo:

"Se o cátodo é formado por fosfato de ferro e lítio, são menos perigosas. O potencial é de 3,2 volts, você está longe dos 5,1 que explodem. Mas as que têm cobalto são mais perigosas porque têm mais densidade de energia, duram mais, mas estão mais perto do potencial limite".

Dica: Ao comprar um celular ou dispositivo, verifique nas especificações técnicas se a bateria utiliza tecnologia LiFePO4 (fosfato de ferro e lítio), considerada mais segura.

Recomendações para prevenir acidentes

1
Não carregue o celular no quarto onde dorme. Faça isso em corredores ou áreas ventiladas.
2
Use sempre carregadores e cabos originais ou homologados.
3
Evite a exposição ao calor - não deixe o telefone no painel do carro ou em espaços fechados quentes.
4
Não carregue durante a noite inteira ou por períodos prolongados sem controle.
5
Verifique se a bateria incha ou deforma; se isso acontecer, pare de usar o aparelho imediatamente.
6
Não manipule células danificadas ou inchadas. O contato do lítio com o ar pode provocar ignição imediata.

Um risco pouco frequente, mas real

Segundo estimativas da indústria, a taxa de falhas das baterias de lítio é de aproximadamente 1 em 1 milhão, uma proporção baixa considerando que bilhões de dispositivos estão em uso diário no mundo. No entanto, a proliferação de celulares, patinetes elétricos, notebooks e carros elétricos aumenta a probabilidade de incidentes graves, como os ocorridos em Córdoba e outros casos no Brasil e em Buenos Aires.

Visintin enfatizou que a educação é fundamental para prevenir tragédias: "Planejar, educar como vocês estão fazendo agora, excelente, porque não ocorrem acidentes com as baterias de lítio. Mas quando acontece e nos toca como a Lucila, é terrível".

Detalhes do incidente
VítimaMaría Lucila Pagani (47 anos), docente e pesquisadora da UNC
LocalRota E-53, Córdoba, Argentina
CausaExplosão de bateria de íons de lítio enquanto o celular carregava dentro de um carro
FonteInfobae
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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga