25/06/2026 03:13 - Politica
A Casa Rosada (sede do governo argentino, equivalente ao Palácio do Planalto no Brasil) tomou uma decisão que muda o cenário político dentro do oficialismo: intervir na condução do bloco de senadores que até agora estava sob a gestão de Patricia Bullrich. A manobra foi concretizada após uma reunião crucial na terça-feira, 24 de junho de 2026, entre o chefe de gabinete Manuel Adorni e os senadores libertários.
Segundo fontes do Congresso ouvidas pelo site La Política Online, a estratégia consiste na criação de um grupo de WhatsApp para coordenar a bancada, com controle direto de Karina Milei (secretária geral e irmã do presidente) e Diego Santilli (ex-vice-chefe de governo porteño). O objetivo explícito é fazer Bullrich sentir "o rigor da condução da Casa Rosada", limitando seu poder de decisão.
Para entender a magnitude desta notícia, é preciso saber que Patricia Bullrich é uma figura poderosa do partido PRO (Proposta Republicana), aliado ao governo de Javier Milei. A nova medida implica:
Um senador libertário expressou sua preocupação com a proliferação de canais de comunicação: "Se criarem outro grupo por fora, já é demais", referindo-se à desconfiança que isso gera sobre a gestão atual.
Não conformada com a perda de poder, Patricia Bullrich buscou se blindar na quarta-feira seguinte. Ela obteve demonstrações públicas de apoio de duas figuras pesadas do governo: Federico Sturzenegger (presidente do Banco Central) e Luis Petri (ministro da Defesa).
Essa tensão reflete um conflito interno maior. Legisladores já haviam expressado seu descontentamento com Bullrich anteriormente, dizendo: "Estamos cansados de saber de suas posturas pelo Twitter", evidenciando uma falta de comunicação interna.
Essa briga interna ocorre no meio do "AdorniGate". Manuel Adorni é questionado por um aumento patrimonial de 775% (de US$ 20 milhões para US$ 944 milhões).
Uma moção de censura já acumula 120 das 129 assinaturas necessárias para destituí-lo. A sessão de interpellation de quarta-feira, 25 de junho de 2026, fracassou por falta de quórum.
Para os leitores estrangeiros, é importante notar que a Constituição Argentina de 1994 prevê este mecanismo no Artigo 101. Diferente de um impeachment (juízo político), a censura é um instrumento político que não exige a comprovação de um delito, apenas a perda de confiança do parlamento. Se aprovada, obriga o Chefe de Gabinete a renunciar, mas não afeta o Presidente da Nação.
Atualmente, Adorni deve comparecer ao Senado em 2 de julho de 2026. O juiz Ariel Lijo está a cargo da investigação judicial.
Fuente: La Política Online
Alfredo S. Quiroga