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Protesto multissetorial na Argentina contra reforma da previdência: "Não é reforma, é ajuste"

25/06/2026 03:34 - Politica

Uma jornada de protesto coordenada

Integrantes da Multisectorial em Defesa da Caixa de Aposentadorias realizaram na quarta-feira, 24 de junho de 2026, uma jornada de protesto no acesso ao Túnel Subfluvial, do lado de Paraná, onde entregaram panfletos para informar a comunidade sobre sua rejeição ao projeto de reforma previdenciária que analisa a Legislatura provincial.

A atividade foi realizada com interrupções parciais e momentâneas do trânsito, permitindo a passagem de veículos de forma intercalada enquanto os manifestantes entregavam material informativo e conversavam com os motoristas. O protesto coincidiu com a greve docente de 24 horas impulsada pelos sindicatos AGMER e AMET, no marco de reivindicações salariais e previdenciárias.

Reivindicações salariais e previdenciárias

Desde AGMER (Associação de Gente de Meio de Ensino Rural) sinalizaram que a medida de força registrou um alto nível de adesão. "Podemos dizer que a greve tem uma adesão de 80%, porque além da rejeição à reforma previdenciária também sustentamos nossa reivindicação salarial", expressou o secretário-geral do sindicato docente, Abel Antivero.

O salário mínimo de um docente é de $750.000 pesos argentinos, mais baixo em comparação com Santa Fe e Córdoba. "Na Região Central somos a província mais pobre, e se compararmos a nível país, está Misiones como a província com salários docentes mais baixos e depois seguimos nós em Entre Ríos", acrescentou Antivero.

Expectativa pelo debate legislativo

Os referentes sindicais manifestaram sua preocupação ante o avanço do projeto no Senado, já que para o 1° de julho está previsto o ditame das comissões. Reclamaram que os legisladores levem em conta as objeções plantadas por trabalhadores e aposentados durante as reuniões de comissão.

"A expectativa é que os senadores escutem aos trabalhadores e sejam conscientes da gravidade da situação. Pedimos que não votem uma redução dos rendimentos de trabalhadores ativos e aposentados", sustentou o representante da Associação Judicial de Entre Ríos (AJER), José María Segura.

O impacto nos benefícios da aposentadoria

Os representantes sindicais afirmaram que a proposta oficial não resolverá o déficit previdenciário e advertiram que as modificações impactarão tanto em trabalhadores em atividade como em futuros aposentados.

Gustavo Bolzán, secretário Adjunto e Administrativo de SADOP Entre Ríos, explicou que "o que nos preocupa é que a aposentadoria futura será menor que a atual. Hoje temos o direito ao 82% móvel e entendemos que esta reforma implica uma deterioração desse benefício".

A base de cálculo que se propôs inicialmente em 30 anos, depois passou a 20, e poderia ficar em 15, o que representa um ajuste sobre o salário.

Perda do poder aquisitivo

Claudia Vallori, vocal pela Federação de aposentados na Caixa, advertiu que "desde 2024 até a data os trabalhadores ativos e aposentados perderam entre um 38 e um 40 por cento de poder aquisitivo".

"Não podemos enfrentar mais ajuste", remarcou durante a manifestação.

Proposta alternativa

A Multisectorial apresentou uma proposta alternativa baseada na criação de um fundo fiduciário destinado a fortalecer a sustentabilidade do sistema previdenciário.

Segundo explicou José María Segura, a iniciativa busca gerar recursos para a Caixa de Aposentadorias sem afetar direitos adquiridos.

Números do setor educativo

  • Entre 40.000 e 45.000 docentes na província
  • 30-35% se desloca entre escolas de diferentes localidades
  • $750.000 salário mínimo docente
  • 80% adesão à greve segundo AGMER

Contexto: o que é o "82% móvel"?

Para compreender a magnitude deste protesto, é importante entender o conceito de 82% móvel. Na Argentina, este benefício estabelece que a aposentadoria deve equivaler a 82% do salário do trabalhador em atividade, garantindo uma transição econômica digna para os aposentados.

A proposta de reforma poderia modificar esta base de cálculo, passando de considerar os últimos 30 anos de contribuições para apenas 15 anos, o que resultaria em uma redução significativa no valor da aposentadoria futura.


"Não é reforma, é ajuste"

Durante o protesto, os manifestantes insistiram que o projeto implica uma redução de benefícios previdenciários. "Não é reforma, é ajuste", apontou a secretária-geral de APS, Alejandra Levrand.

"Estamos mais firmes do que nunca, aqui não se rende ninguém e daremos luta até o final à reforma previdenciária que o governo pensa implantar", insistiu a representante dos hierarquizados da Municipalidade de Paraná.

A jornada se desenvolveu de forma simultânea em Paraná, Concordia e Gualeguaychú (três das principais cidades de Entre Ríos), no marco de uma estratégia coordenada pela Multisectorial para expressar a rejeição ao projeto previdenciário que atualmente se encontra em análise legislativa.

Os sindicatos sinalizaram que continuarão realizando ações de difusão e mobilização em diferentes pontos da província para visibilizar sua posição.


Fonte: Elonce

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga