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Acordo entre Líbano e Israel pode impedir justiça por crimes de guerra

27/06/2026 16:52 - Internacionales

Um acordo que gera controvérsia internacional

Líbano e Israel assinaram na sexta-feira, 26 de junho de 2026, um acordo marco de 14 pontos em Washington, projetado para pôr fim aos confrontos entre Israel e o Hezbollah. No entanto, especialistas legais alertam que o texto poderia bloquear as vítimas de crimes de guerra supostamente cometidos por Israel de buscar justiça em tribunais nacionais e internacionais.

O Artigo 13 do acordo estabelece que ambas as partes "cessarão todas as ações hostis ou negativas em fóruns políticos ou legais internacionais" para estabelecer a boa fé entre os dois países. A redação ampla e vaga do texto gerou preocupação entre defensores de direitos humanos.

As críticas dos especialistas

Farouk al-Moghrabi, ex-conselheiro do ministério de direitos humanos que ajudou a redigir uma lei para dar jurisdição à CPI no Líbano, foi contundente:

"Isso matará qualquer esperança de conceder jurisdição à CPI, e até mesmo qualquer esperança de uma missão de investigação da ONU".

Acrescentou que a lei também terminaria com os esforços internos para investigar e documentar crimes.

Nizar Saghieh, advogado e diretor da Legal Agenda (ONG libanesa), afirmou:

"O governo está normalizando o crime e renunciando aos seus direitos para garantir qualquer investigação ou processamento desses crimes, ou até mesmo para assistir a vítima em sua busca por justiça".

Contexto do conflito

O conflito entre Israel e Hezbollah começou em 8 de outubro de 2023, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em solidariedade ao Hamas, provocando duas invasões israelenses do sul do Líbano e amplas campanhas de bombardeios.

DadoNúmero
Mortos no Líbano por ataques israelensesMais de 8.000
Jornalistas assassinadosMais de 12
Socorristas mortosMais de 300
Civis israelenses mortosPelo menos 49
Soldados israelenses mortosDezenas

Posição do Hezbollah e resposta institucional

Naim Qassem, líder do Hezbollah, rejeitou o acordo assinado em Washington, qualificando-o como uma "humilhação". O grupo pediu consistentemente ao governo libanês que pare as negociações diretas com Israel.

A Comissão Nacional de Direitos Humanos do Líbano emitiu um comunicado enfatizando que nenhum acordo deveria impedir as vítimas de buscar justiça:

"A comissão enfatiza que processar os perpetradores de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e tortura não constitui um ato de hostilidade nem uma postura política, mas sim um exercício legítimo dos direitos à justiça".

A CPI e o contexto das ordens de prisão

A Corte Penal Internacional (CPI) emitiu ordens de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos em Gaza.

Israel e Estados Unidos empreenderam uma campanha agressiva contra a CPI em resposta, incluindo sanções estadunidenses a juízes do tribunal internacional.

O governo libanês não havia concedido jurisdição à CPI até agora devido à resistência inicial do Hezbollah e às possíveis sanções estadunidenses. O acordo marco da sexta-feira representaria outro obstáculo para a prestação de contas no país.

O que é o Hezbollah?

O Hezbollah é um grupo político e militar xiita fundado no Líbano em 1982, com apoio do Irã. É considerado uma organização terrorista por Estados Unidos, Israel e outros países, mas também atua como partido político legítimo no Líbano, com representação no parlamento. Seu braço armado é uma das forças militares não estatais mais poderosas do mundo árabe, frequentemente entrando em conflito com Israel na região fronteiriça.

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga