30/06/2026 16:53 - Tecnologia
A NASA acelera uma missão de resgate sem precedentes para evitar que o telescópio espacial Swift caia de volta à Terra e prolongar sua vida científica por meio de uma manobra orbital que pode começar esta semana. O observatório de raios gama, que pesa 1,4 toneladas e orbita a cerca de 360 quilômetros de altitude, perde altura cada vez mais rápido devido à intensa atividade solar recente.
A agência já desligou todos os seus instrumentos científicos para frear a descida, e as observações foram interrompidas em fevereiro de 2026. Segundo as estimativas mais recentes, espera-se que o ponto crítico seja alcançado em outubro: se descer abaixo dos 300 quilômetros, não poderá ser recuperado.
O Neil Gehrels Swift Observatory (anteriormente chamado Swift Gamma-Ray Burst Explorer) é um telescópio espacial lançado em 20 de novembro de 2004. Foi nomeado em homenagem ao astrofísico Neil Gehrels, que foi investigador principal da missão até seu falecimento em 2017.
Swift foi projetado para detectar e estudar explosões de raios gama (GRB), os eventos mais energéticos do universo. O observatório conta com três instrumentos principais:
Detectou mais de 1.400 explosões de raios gama desde seu lançamento, e sua capacidade de girar rapidamente em direção a objetivos de interesse o torna o "primeiro respondedor" astronômico da NASA ante eventos cósmicos urgentes.
A missão será conduzida por Link, um veículo robótico autônomo construído pela Katalyst Space Technologies com as seguintes características:
| Tamanho | Aproximadamente uma geladeira pequena |
|---|---|
| Envergadura solar | 12 metros |
| Braços robóticos | 3 braços com garras tipo Lego |
| Alcance | Mais de 1 metro |
O lançamento está previsto a partir de um recife das Ilhas Marshall no oceano Pacífico, a bordo de um foguete Pegasus lançado de um avião. Após a decolagem, a nave levará cerca de um mês para encontrar Swift e capturá-lo, e mais dois meses para elevar sua órbita até os 600 quilômetros.
A NASA considera que o esforço se justifica porque perder Swift significaria renunciar a uma capacidade que não pode substituir hoje com outro observatório novo. A chefe de missões científicas da NASA, Nicky Fox, explicou: "Se deixarmos Swift reentrar, perderemos esse telescópio. Perderemos muita capacidade. Atualmente não temos orçamento para construir outro que o substitua".
O diretor de astrofísica da NASA, Shawn Domagal-Goldman, reconheceu que o projeto parecia improvável desde o início: "Tenho que ser honesto. Ninguém pensou que ia ser possível. Ninguém pensou que chegaríamos tão longe como já chegamos hoje".
A necessidade de conservá-lo também cresce pelo volume de descobertas esperadas do telescópio James Webb e do futuro telescópio Roman. Se Swift sobreviver, poderá ter mais trabalho do que nunca como instrumento complementar para acompanhar essas descobertas.
Se a operação for bem-sucedida, o observatório poderá voltar a funcionar em setembro, segundo Ghonhee Lee, diretor executivo da Katalyst. Seria a primeira manobra deste tipo realizada por um robô espacial americano.
Lee destacou: "Este é o primeiro robô espacial americano que subirá e fará algo assim. A NASA tem todos esses grandes observatórios veteranos… todos podem se beneficiar de um serviço como este. O que estamos demonstrando com esta missão é que esta é uma nova jogada disponível no manual".
A mesma lógica já alcança o telescópio Hubble, que também perde altitude pelas erupções solares sucessivas. Uma versão de nova geração do robô da Katalyst poderia tentar uma missão similar com esse telescópio dentro de alguns anos. Hubble, que tem 36 anos de operação, já recebeu serviços repetidos de astronautas durante a era dos ônibus espaciais.
A empresa prevê lançar no próximo ano outro robô capaz de trabalhar com satélites situados até 35.800 quilômetros de altura, com a ideia de ampliar um negócio orbital dedicado a reparar, elevar, reabastecer e construir plataformas no espaço.
Fonte: Infobae - 28 de junho de 2026
Alfredo S. Quiroga