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Suprema Corte dos EUA barra decreto de Trump sobre cidadania por nascimento

01/07/2026 06:33 - Internacionales

Um revés histórico para a política migratória de Trump

O Tribunal Supremo dos Estados Unidos determinou em 1º de julho de 2026 que o decreto executivo assinado por Donald Trump em seu primeiro dia de governo para eliminar a cidadania por nascimento é inconstitucional. A decisão marca um ponto de inflexão na política migratória da administração republicana.

O que estabelece a Décima Quarta Emenda?

A Décima Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, ratificada em 1868 após a Guerra Civil Americana, estabelece que "todas as pessoas nascidas ou naturalizadas nos Estados Unidos, e sujeitas à sua jurisdição, são cidadãos dos Estados Unidos e do Estado em que residam".

Este princípio constitucional tem sido a base do "jus soli" ou direito do solo nos Estados Unidos há mais de 150 anos, convertendo automaticamente em cidadãos todos os nascidos em território americano, independentemente do status migratório de seus pais.

Para os brasileiros: Este conceito é semelhante ao que existe no Brasil e na maioria dos países da América Latina, onde qualquer pessoa nascida em território nacional automaticamente adquire a cidadania.

📊 Dados-chave

  • +6 milhões de americanos com pais indocumentados
  • <0.3% de nascimentos por "turismo de partos"
  • 14 milhões de indocumentados nos EUA
  • 6-3 maioria conservadora na Suprema Corte

O julgamento da Suprema Corte

Mesmo contando com uma maioria conservadora de 6 magistrados, o Tribunal Supremo determinou que o decreto executivo violava a Constituição. Os juízes, inclusive os nomeados por Trump, mantiveram-se fiéis ao princípio do "originalismo", uma corrente jurídica que defende interpretar a Constituição segundo seu significado original.

⚠️ Opinião discordante de Clarence Thomas

O magistrado mais conservador do tribunal, Clarence Thomas, escreveu uma opinião discordante argumentando sobre as "empresas de turismo de partos" que cobram somas elevadas de estrangeiros ricos para facilitar partos nos Estados Unidos. No entanto, segundo um estudo da Universidade da Pensilvânia, menos de 0.3% dos nascimentos correspondem a turistas.

✅ Decisões favoráveis a Trump

O mesmo tribunal aprovou recentemente:

  • Eliminação de proteção para 350.000 haitianos e 6.000 sírios
  • Fim do direito de asilo para migrantes irregulares na fronteira
  • Expulsão imediata sem processo prévio

🏛️ O caminho legislativo

Trump anunciou na Truth Social que pedirá ao Congresso que aja:

  • São necessários 60 votos no Senado para aprovar
  • Os republicanos têm apenas 53 cadeiras
  • Uma emenda constitucional exigiria dois terços de ambas as câmaras

Contexto: A obsessão do movimento MAGA

A eliminação da cidadania por nascimento tem sido uma fixação do movimento MAGA (Make America Great Again) desde seus inícios. O vice-presidente J.D. Vance chegou a qualificá-la como "a política migratória mais estúpida que existe".

Trump argumentou que é uma prática "cara e injusta" e frequentemente menciona o conceito de "crianças âncora", termo pejorativo utilizado pelos críticos da imigração para se referir a filhos de imigrantes indocumentados que nascem em território americano.

País Cidadania por nascimento
🇺🇸 Estados Unidos Jus soli (protegido pela Constituição)
🇨🇦 Canadá Jus soli (sem restrições)
🇲🇽 México Jus soli (sem restrições)
🇦🇷 Argentina Jus soli (sem restrições)
🇧🇷 Brasil Jus soli (sem restrições)

Fonte: El País

📌 Em resumo

O Tribunal Supremo freou temporariamente um dos pilares da política migratória de Trump. Embora o presidente busque o caminho legislativo, as possibilidades de sucesso são remotas, dado o margem ajustada dos republicanos no Congresso e os requisitos constitucionais para modificar este direito consagrado há quase 160 anos.

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga