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Mãe de Agostina Vega denuncia cúmplices soltos após femicídio na Argentina

02/07/2026 03:27 - Judiciales

Contexto para leitores internacionais: Este caso ocorre na Argentina, onde o femicídio (feminicidio) é um crime específico tipificado quando um homem mata uma mulher por razões de gênero. Córdoba é a segunda maior cidade do país, localizada no centro da nação.

Melisa Heredia, a mãe de Agostina Madeleine Vega, a adolescente de 14 anos vítima de femicídio em Córdoba, rompeu o silêncio em uma entrevista exclusiva com La Voz no dia 01/07/2026. Sua declaração chega 38 dias após o crime brutal e após ser aceita como querelante no processo pelo promotor Raúl Garzón.

A mulher expressou seu temor e denunciou que "existem cúmplices. Estão soltos. Tenho medo de sair à rua". Segundo seu relato, pessoas do círculo do assassino de sua filha continuam em liberdade e poderiam buscar favorecer a impunidade na investigação.

Prisão preventiva decretada

O promotor Raúl Garzón determinou prisão preventiva para:

  • Claudio Barrelier - ex-funcionário municipal acusado de abuso sexual e homicídio triplamente qualificado por alevosia, criminis causae e por mediar violência de gênero (femicídio).
  • Osvaldo Fassetta e Soledad Andreani - ambos acusados de encobrimento agravado por mediar contexto de violência de gênero.

Nota: A prisão preventiva na Argentina é uma medida cautelar que permite manter um suspeito detido durante a investigação, sem necessidade de condenação prévia.

Situação pendente

Resta saber o que acontecerá com Marianela Palmero, esposa de Barrelier, que ainda não foi interrogada mas também está acusada por encobrimento agravado.


Querelante: Na justiça argentina, é a vítima ou familiar que se incorpora ao processo como parte acusadora, com direitos específicos de participação e representação jurídica.

Contexto do caso

Agostina Vega tinha 14 anos e foi assassinada em Córdoba. Barrelier já tinha sido denunciado em maio de 2025 por fato similar com outra garota, mas ficou em liberdade após pagar uma fiança com um advogado. O crime comoveu a sociedade argentina e gerou pedidos de justiça.

A armadilha e a dor de uma mãe

Melisa Heredia explicou que durante estes 38 dias entendeu que "armaram uma armadilha" para ela e sua filha para ganhar tempo e conseguir a impunidade. Disse que confiava em algumas dessas pessoas e pensava que eram amigos.

"Ele foi solto em maio de 2025 quando fez o mesmo com outra garota. Teve um advogado que pagou uma fiança. Os meios me atacaram"

Também criticou a atuação da Unidade Judicial: "Me viam chorando, desesperada, dizendo que minha filha de 14 anos não aparecia, e ninguém atuou com a urgência que correspondia".

O sofrimento pessoal

A mãe descreveu como mudou sua vida: "Existem dias em que não tenho forças nem para sair da cama. Se sigo em frente é unicamente porque tenho outro filho de oito anos que precisa de mim".

Revelou que Agostina praticava patinação artística federada e estavam organizando com sacrifício sua festa de 15 anos para julho: "Um amigo nos tinha emprestado o vestido que ela gostava".

Ataques públicos sofridos

"Me inventaram uma vida que nunca tive. Disseram que eu tinha entregado minha filha, que estava vinculada com máfias e com muitas coisas que são completamente falsas", denunciou.

O que espera da Justiça

"Espero que façam justiça pela minha filha e que não deixem sair nunca mais os responsáveis. Sempre disse: que caiam todos os que tiverem que cair"

Seu advogado, Carlos Nayi, destacou que agora que é querelante "se sabe que Melisa é vítima. Os que a atacaram publicamente têm que se chamar à reflexão".

Investigação em andamento

O caso continua em desenvolvimento com o promotor Raúl Garzón a cargo. Espera-se que os advogados de defesa apelem das prisões preventivas. A sociedade argentina permanece atenta aos desdobramentos deste femicídio que voltou a pôr em evidência a violência de gênero no país.

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga