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Milei busca reformar o Banco Central argentino para acabar com a inflação e negocia mudanças eleitorais

02/07/2026 21:05 - Politica

Um novo rumo para o Banco Central Argentino

O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou um projeto chave para a sua gestão: a modificação da Carta Orgânica do Banco Central da República Argentina (BCRA) — instituição equivalente ao Banco Central do Brasil ou ao Federal Reserve dos EUA. A iniciativa, trabalhada em conjunto com os ministros Luis Caputo (Economia) e Federico Sturzenegger (Desregulação), e o presidente do BCRA, Santiago Bausili, busca acabar de vez com o financiamento do déficit fiscal através da emissão monetária, uma das principais causas históricas da inflação na Argentina.

O que propõe exatamente a reforma?

O governo busca revogar a reforma de 2012, impulsionada durante a gestão da ex-presidente Cristina Kirchner, que ampliou os objetivos do BCRA para cinco metas simultâneas. Milei propõe voltar ao mandato único que vigorou entre 1992 e 2012: que a missão primária e fundamental do BCRA seja preservar o valor da moeda (ou seja, focar apenas no controle da inflação).

O princípio de Tinbergen e o fim da 'brutalidade monetária'

Em uma extensa mensagem intitulada 'Fim da brutalidade monetária', Milei recorreu ao princípio de Tinbergen, uma regra econômica clássica que estabelece que, para alcançar um objetivo de política econômica, é necessário pelo menos um instrumento independente. Ao atribuir cinco objetivos à política monetária (estabilidade monetária, financeira, emprego, desenvolvimento econômico com equidade social), a reforma de 2012 foi classificada pelo mandatário como uma declaração de ignorância econômica.

Entre as mudanças concretas que o oficialismo analisa estão:

  • Eliminar os adiantamentos transitórios: Empréstimos de curto prazo que o BCRA dava ao Tesouro Nacional dentro de certos limites legais.
  • Restringir transferências de utilidades contábeis: Lucros contábeis do BCRA que eram enviados ao Tesouro para financiar gastos.
  • Proibir compras de dívida pública: Evitar que essas operações funcionem como financiamento monetário do déficit.

Se queremos acabar para sempre com a inflação, aniquilar a reforma de 2012 voltando a um objetivo factível será um grande passo na direção correta, concluiu o Presidente.

Reforma Política: Negociações para 2027

Junto à reforma econômica, o partido oficialista avança em uma reforma política com vista nas eleições presidenciais e legislativas de 2027. Segundo informou o jornal argentino Letra P, o governo iniciou uma negociação com o PRO (Proposta Republicana, partido de centro-direita) e a UCR (União Cívica Radical, partido histórico de centro) para oferecer-lhes listas legislativas próprias que concorram abaixo da chapa presidencial de Milei.

Esse esquema, semelhante a uma lei de lemas (sistema eleitoral onde um candidato presidencial pode patrocinar até três propostas legislativas), seria muito útil em províncias como a de Buenos Aires, onde se elegem 35 deputados. Para o Senado, onde se elegem três cadeiras (duas pela maioria e uma pela minoria), buscar-se-ia que os chefes políticos locais organizem as listas.

Um contexto de mudanças no Gabinete

Estes anúncios ocorrem em um cenário de reconfiguração do gabinete nacional. O 30 de junho de 2026, Diego Santilli assumiu como novo chefe de Gabinete de Ministros (cargo similar ao de chefe de Estado Maior da Presidência), no lugar de Manuel Adorni, que renunciou em 27 de junho após um escândalo patrimonial. A nova etapa política também inclui o debate sobre a ampliação do sistema de 'inocência fiscal', embora sua tramitação possa atrasar-se para evitar que o debate aluda à situação de Adorni.

Em um panorama econômico positivo que o governo busca consolidar, as reservas do BCRA alcançaram US$ 47,081 bilhões, após acumular compras por US$ 11 bilhões no que vai de 2026, e o país registrou um superávit comercial de US$ 11,783 bilhões entre janeiro e maio.

Fontes: TN, Letra P.

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga