05/07/2026 22:17 - Internacionales
Em 24 de junho de 2026, a costa norte da Venezuela foi palco de uma tragédia sem precedentes. Dois terremotos de magnitude 7.2 e 7.5 sacudiram a região, provocando o colapso de 190 estruturas e deixando milhares de famílias desabrigadas. Segundo o saldo oficial até 5 de julho de 2026, registam-se 3.342 mortos e 16.740 feridos, enquanto a ONU estima entre 50.000 e 70.000 desaparecidos.
Conforme informou a CNN en Español, Stephanie Villegas viveu uma odisseia de dez horas após ficar soterrada em La Guaira. Enquanto descia as escadas do quarto andar de um prédio, o sismo fez a estrutura colapsar sobre ela. Com múltiplas fraturas na perna e no braço, Stephanie agarrou-se à sua fé para manter a calma: 'Eu me disse: fique tranquila, se está acordada é porque Deus vai te salvar'.
Seu parceiro, ao não encontrar equipes de resgate, subiu em uma árvore que milagrosamente permanecia de pé para alcançar o perímetro onde ela estava presa. Com a ajuda de vizinhos, trabalharam das 20:00 até a meia-noite para libertá-la. Improvisaram uma maca com uma porta e, após duas horas de travessia, conseguiram colocá-la em uma caminhonete. Stephanie entrou no hospital às 4 da manhã, onde os médicos conseguiram salvar sua perna da amputação.
A BBC Mundo publicou o relato comovente de Nelson Torrealba, que abandonou o sétimo andar do edifício Ritasol Palace em La Guaira por volta das 18:00 do dia 24 de junho de 2026 para ir às compras. Três minutos depois de sair, o terremoto destruiu sua casa.
Nelson perdeu a esposa, Dallenyi, e seus dois filhos, Samuel (14 anos) e Matías (10 anos). 'Eu me virei e já não havia nada', relatou à BBC, refletindo a dor de milhares de venezuelanos que perderam seus entes queridos em questão de segundos. Este relato ilustra a brutalidade de um desastre natural que não deu trégua às famílias.
Apesar da magnitude da tragédia, a solidariedade internacional brilha no meio da escuridão. Até 5 de julho de 2026, um total de 3.681 socorristas de 30 países trabalhou incansavelmente na zona. A Argentina foi um dos países mais ativos, enviando 16 toneladas de ajuda humanitária e um contingente de mais de 100 médicos. O milagre da vida fez-se presente com o resgate de Hernán Gil (43 anos), que foi encontrado vivo após passar 114 horas sob os escombros em La Guaira.
Alfredo S. Quiroga