06/07/2026 04:45 - Economia
Para entender o contexto argentino, é importante saber que a moeda local é o peso argentino (ARS) e o 'bilhão' na Argentina equivale a um trilhão em português. O mercado creditício argentino começa a respirar ar fresco. Segundo um relatório da consultoria First Capital Group baseado em dados do Banco Central da República Argentina (BCRA), em junho de 2026 o saldo total de empréstimos em pesos ao setor privado atingiu $103,1 bilhões (trilhões na nomenclatura argentina), marcando um crescimento nominal de 3,6% ao mês e de 35,6% interanual (frente aos $76,1 bilhões do ano anterior).
Ajustando pela inflação estimada de 1,9% ao mês e 33,6% anual segundo projeções privadas, isso se traduz em um incremento real de 1,7% ao mês e de 1,3% anual, marcando um marco positivo após cinco meses de retrocesso.
As operações comerciais foram as grandes protagonistas, superando a barreira da inflação. Subiram nominalmente 6,4% ao mês, totalizando $34,9 bilhões. Em termos reais, registraram um aumento mensual de 4,5%.
Guillermo Barbero, sócio da First Capital Group, destacou: 'Novamente foram as operações comerciais que superaram a barreira da inflação e compensaram o magro desempenho das carteiras associadas aos particulares'.
O segmento hipotecário (incluindo as UVA, que são unidades de valor ajustáveis pela inflação, muito comuns na Argentina) mostrou um desempenho notável, com um crescimento nominal de 3,5% ao mês e um impacto anual de 106,8%, totalizando $7,9 bilhões. Em termos reais, a alta foi de 1,6% ao mês e de 54,5% anual.
A queda dos índices que atualizam as parcelas gerou uma maior demanda por este tipo de crédito, oferecendo novas oportunidades para as famílias.
A operatória com cartões experimentou um repique nominal de 2,6% ao mês, alcançando um saldo de $25,2 bilhões. Em valores reais, isso representa uma alta de 0,6% ao mês.
O retorno das promoções bancárias e das parcelas sem juros (até 18 parcelas) impulsionaram com sucesso a volta do consumo, demonstrando uma reativação gradual do mercado varejista.
Com um saldo de $6,3 bilhões, esta linha mostrou uma leve queda real de 0,8% ao mês. No entanto, existe um moderado otimismo para os próximos meses, já que começaram a ser oferecidas operações a prazos mais estendidos e com taxas bonificadas em importantes bancos.
Apesar deste panorama alentador, o contexto ainda apresenta desafios. A inadimplência das famílias marcou um novo recorde histórico de 12,7% em maio, o décimo nono mês consecutivo de aumento. No segmento empresarial, a inadimplência subiu para 3,5%. No total, a inadimplência do setor privado subiu de 7,3% para 7,7%.
Diante deste cenário, as entidades financeiras estão focadas em recuperar as taxas de inadimplência antes de avançar agressivamente em novas ofertas de empréstimos pessoais, que caíram 1,0% real no mês, somando um saldo de $21,2 bilhões. Não obstante, a mudança de tendência nas carteiras comercial e hipotecária é um indicador positivo que augura um horizonte mais estável para o sistema creditício argentino.
Alfredo S. Quiroga