06/07/2026 21:04 - Economia
Para entender a economia da Argentina, é vital acompanhar a gestão de sua dívida. Segundo informou o portal Infobae, o Ministro da Economia, Luis Caputo, apresentou em 6 de julho de 2026 o programa financeiro para o restante do ano e para 2027, demonstrando um sólido manejo das contas e gerando confiança nos investidores.
O cenário é muito animador para o vencimento da próxima 9 de julho. O Tesouro argentino deve pagar USD 4.200 milhões aos detentores de bônus, e Caputo confirmou que já existem USD 3.900 milhões disponíveis na conta do Tesouro no Banco Central da República Argentina (BCRA). A isso se somam os ingressos de créditos com garantias de organismos internacionais antes do pagamento, o que assegurará um excesso de dólares.
Vai haver excesso de reservas, afirmou com confiança o ministro Caputo ante a consulta dos meios de comunicação.
A Secretaria de Finanças avançará com uma nova emissão de dívida local: o Bonar 2029 (AO29), que será lançado na próxima licitação de 15 de julho. Até a data, havia-se completado o limite de USD 2.000 milhões para os bônus 2027 e 2028. O novo Bonar 2029 terá um teto máximo global de USD 2.000 milhões, mas com uma excelente novidade: não haverá limites em sua primeira colocação.
O Secretário de Finanças, Federico Furiase, explicou que esta decisão busca aproveitar o fluxo de investidores que desejam reinvestir o capital recebido pelo pagamento de cupons, permitindo captar uma maior demanda e fortalecer o mercado local.
O esquema detalhado mostra um balanço muito saudável. As necessidades para o restante de 2026 ascendem a USD 19.200 milhões, enquanto as fontes de financiamento somam USD 22.900 milhões, criando uma almofada financeira de USD 3.700 milhões.
| Fonte de Financiamento 2026 | Montante (em milhões USD) |
|---|---|
| Compra de dólares ao BCRA | 6.700 |
| Empréstimos com garantias de organismos (BM a 6,3% e BID a 7,75%) | 4.000 |
| Emissão de dívida local (Bonar 2027, 2028 e 2029) | 6.000 |
| Desembolsos de outros organismos (exclui FMI) | 2.800 |
| Desembolsos do FMI | 1.900 |
| Rendimentos por privatizações | 800 |
| Rolagem intra setor público | 800 |
O mercado está reagindo de maneira muito positiva. Na sexta-feira passada, o risco país fechou em 415 pontos básicos, marcando um novo mínimo desde 2018 e durante toda a gestão de Javier Milei. O risco país é um indicador que mede a probabilidade de um país não pagar sua dívida; quanto mais baixo, mais confiança gera. Caputo destacou o compromisso da equipe econômica com a ortodoxia fiscal e monetária para seguir reduzindo riscos.
Furiase destacou além disso que a composição do custo argentino é inferior à taxa livre de risco global (na zona dos 4,5%), um dado que entusiasma o setor financeiro de cara aos próximos meses.
Fonte: Infobae Economía
Alfredo S. Quiroga