09/07/2026 22:40 - Economia
Enquanto o país comemorava seu 210º Aniversário da Declaração de Independência, os mercados internacionais enviaram um sinal de confiança para a Argentina. De acordo com o jornal Ámbito, o risco país registrou uma nova queda em 9 de julho de 2026, ficando em 404 pontos básicos, encostando na barreira psicológica dos 400 e atingindo seu nível mais baixo desde 2018.
O risco país é um indicador chave que mede a probabilidade de um país não cumprir o pagamento de sua dívida soberana. Quanto mais baixo o indicador, maior a confiança dos investidores estrangeiros. Chegar a 404 pontos básicos representa um feito histórico que aproxima a Argentina dos níveis dos países considerados mais seguros para investimento.
Essa queda ocorreu no contexto do pagamento de US$ 2,5 bilhões a detentores de bônus privados sob lei estrangeira, compromisso que o Governo cumpriu rigorosamente. Embora o mercado já esperasse por essa operação, sua confirmação gerou um impacto positivo na cotação dos ativos locais. Após esse desembolso, as reservas do Banco Central da República Argentina (BCRA) ficaram em US$ 48,722 bilhões, um nível robusto que continua respaldando a estabilidade cambial.
Além disso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou o programa financeiro do governo argentino e apoiou a reforma da Carta Orgânica do BCRA (que é a lei que rege o funcionamento do banco central), destacando a transparência e a diminuição da dominância fiscal, o que trouxe tranquilidade aos investidores globais.
Os investidores receberam com grande otimismo a apresentação do programa financeiro para 2026 e 2027, uma ferramenta que dá certeza sobre como o país enfrentará suas obrigações no curto e médio prazo.
| Ano | Compromissos Totais (em US$) |
|---|---|
| 2026 | 19,2 bilhões |
| 2027 | 24,9 bilhões |
| Total de financiamento a obter | 47,8 bilhões |
Para enfrentar essas obrigações, o Governo prevê cinco fontes de financiamento. As compras de divisas do BCRA e as emissões de dívida no mercado local forneceriam a maior parte, cerca de US$ 22,6 bilhões. O restante virá de novas privatizações, financiamento bilateral e empréstimos com garantia de organismos internacionais.
Embora os mercados locais estivessem inativos por causa do feriado do Dia da Independência, no exterior houve movimentos. Os ADRs (Recibos de Depósito Americano, que são ações de empresas estrangeiras negociadas em bolsas dos EUA) de empresas argentinas caíram até 4,5%, arrastados por uma tensão externa global, enquanto o índice S&P Merval (o principal índice da bolsa de valores de Buenos Aires) reduziu seus ganhos semanais para 1%. No entanto, a queda do risco país demonstra que o otimismo pela estabilidade macroeconômica da Argentina pesa mais do que os ruídos do contexto internacional.
Fonte dos dados originais: Ámbito Financiero
Alfredo S. Quiroga