10/07/2026 15:04 - Politica
Em uma entrevista ao rádio Radio NOW em 10 de julho de 2026, o presidente argentino Javier Milei revelou uma agenda internacional movimentada para as próximas semanas. O mandatário confirmou que no próximo 25 de julho de 2026 viajará para São Paulo, Brasil, para testemunhar o ato em que Flavio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, será ungido pela direita brasileira como candidato presidencial. Além disso, Milei planeia passar por Brasília para se reunir com o ex-presidente Bolsonaro, em um novo desafio direto ao presidente brasileiro Lula da Silva.
A turnê continuará rumo ao Peru, onde participará da posse de Keiko Fujimori como presidente, e para a Colômbia, para a posse do presidente eleito Abelardo de la Espriella em 7 de agosto de 2026. Nessa viagem, ele também visitará o mandatário equatoriano Daniel Noboa, com quem a Argentina tem acordos pendentes de assinatura.
Em 26 de julho de 2026, Milei liderará a inauguração da Exposição Rural 2026, adiada em relação à sua data habitual (sábados) para que o presidente possa estar presente. Para quem não conhece, a Exposição Rural (ou 'La Rural') é uma das feiras agropecuárias e tradicionais mais importantes da Argentina, realizada em Buenos Aires.
"É a agenda de um Presidente disposto a abrir-se ao mundo, que está buscando triplicar o tamanho do comércio. Minhas viagens funcionam bastante bem porque conseguimos no RIGI 150.000 milhões de dólares em investimentos", destacou Milei. O RIGI (Regime de Incentivo para Grandes Investimentos) é um marco legal argentino criado para atrair investimentos estrangeiros de grande escala.
Durante a mesma entrevista, Milei afirmou categoricamente que "a partir do Congresso houve uma tentativa de golpe de Estado", apontando que houve 40 leis tentando derrubar o programa econômico e sete tentativas de impeachment. Além disso, mencionou atos na rua que classificou como "terroristas" e garantiu que seu governo deportou mais de 10.000 pessoas no ano passado.
O presidente acusou a "oposição destrutiva", jornalistas, empresários e economistas de tentar "quebrar o modelo" e de ter previsto um cenário de crise que não se materializou. Destacou que o país atravessa "máximos históricos" de PIB, consumo privado e exportações, com um crescimento de 2,3% no primeiro trimestre.
Milei defendeu a incorporação de um mecanismo de "shutdown" (fechamento) do Estado dentro do pacote de reformas econômicas. Segundo o mandatário, a iniciativa busca impedir que o Estado continue executando gastos quando os recursos orçamentários forem insuficientes. "Quem é contra o shutdown quer dizer que é a favor de orçamentos desequilibrados", sentenciou.
A proposta gerou reparos tanto da vice-presidente Victoria Villarruel como de alguns governadores, mas Milei foi contundente: opor-se implica avaliar a "irresponsabilidade fiscal", os "gastos desmesurados" e o "abuso da política contra os argentinos de bem".
Sobre a reforma da Carta Orgânica do BCRA (Banco Central da República Argentina), o presidente foi duramente crítico com o kirchnerismo (corrente política do peronismo de esquerda): "A carta orgânica que o kirchnerismo fez é projetada para que você passe pelo Banco Central, levante a mão e joguem um maço de dinheiro em você. É um disparate". Milei afirmou que herdou uma inflação de 1,5% diário e que a economia caminhava para uma inflação de 15.000% anual.
No front econômico, segundo informaram os meios, o Ministério da Economia que conduz Luis Caputo deixou de pagar há três meses os subsídios às petrolíferas que produzem gás natural e comprometeram investimentos em Vaca Muerta (uma das maiores reservas de gás e petróleo de xisto do mundo, localizada na Argentina) e Terra do Fogo através do Plano Gás. A dívida já acumula o equivalente a cerca de 220 milhões de dólares, o que inquieta a alta diretoria das empresas, que habitualmente financiam seus investimentos com seu próprio fluxo de caixa.
O governo avança em um plano para impulsionar o crédito imobiliário com a ajuda do Fundo de Garantia de Sustentabilidade (FGS) da ANSES (Administração Nacional de Segurança Social, equivalente ao INSS no Brasil), que administra os fundos dos aposentados. Durante um almoço na sede da ADEBA (Associação de Bancos Argentinos), o vice-ministro da Economia José Luis Daza, o secretário de Finanças Federico Furiase, e o subdiretor executivo de operação do FGS, Raúl Osvaldo Benítez (homem da ministra Sandra Pettovello), conversaram sobre o tema com banqueiros.
O governo se concentra em conseguir o apoio dos governadores para aprovar a reforma eleitoral e eliminar as PASO (Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias, um sistema único de pré-eleição argentina) para as eleições de 2027. Esta estratégia, impulsionada por Karina Milei, ainda não estaria dando o resultado desejado porque o oficialismo não tem os votos necessários no Senado. A reforma requer maioria absoluta em ambas as câmaras: um piso de 37 votos no Senado e 129 na Câmara de Deputados. O oficialismo conta com 21 cadeiras na Câmara alta e 95 na baixa.
O chanceler Pablo Quirno chegará na próxima semana a Washington para participar na quinta-feira de uma reunião global convocada pelos Estados Unidos para lutar contra o que o governo de Donald Trump define como "o ressurgimento do terrorismo transnacional de extrema esquerda". O secretário de Estado Marco Rubio convidou ministros de mais de 60 países, incluindo a Argentina, ao encontro.
Consultado sobre as possibilidades da Seleção Argentina na Copa do Mundo de 2026, Milei mostrou-se confiante: "A Argentina tem o melhor jogador de futebol de todos os tempos, somado ao fato de que tem um diretor técnico com uma capacidade de liderança extraordinária", referindo-se a Lionel Messi e Lionel Scaloni.
O presidente elogiou a capacidade de Scaloni para gerenciar um elenco de superestrelas: "Ter que acomodar os egos de superestrelas não é um trabalho para qualquer um", e garantiu que quando o treinador deixar de dirigir, "qualquer uma das universidades mais prestigiadas do mundo vai contratá-lo para dar aulas de liderança".
Javier Milei e o ex-assessor presidencial Demian Reidel subiram às redes um trabalho acadêmico intitulado "Escala mínima viável, extinção e escape sob rendimentos crescentes", continuação da exposição que o presidente realizou no Fórum Econômico Mundial de Davos. O paper busca ser publicado em revistas especializadas com arbitragem.
A senadora Beatriz Ávila (Bloco Independência, Tucumán) afirmou que as palavras de Milei "abrem a porta ao diálogo", mas advertiu que falta "muito caminho por percorrer" para recuperar o federalismo. "Investir em obra pública e desenvolvimento das províncias é uma responsabilidade da Nação que não pode seguir esperando", apontou, segundo publicou o jornal La Gaceta de Tucumán.
A vice-presidente Victoria Villarruel visitou o Engenho La Florida, pertencente à Companhia Açucareira Los Balcanes, em Tucumán, onde se comprometeu a impulsionar o tratamento da Lei de Biocombustíveis. As autoridades da empresa expuseram um diagnóstico da situação da indústria açucareira e levantaram a necessidade de políticas públicas que fortaleçam a produção.
Fontes: Clarín (10/07/2026). Informação complementar de contexto verificada em 10/07/2026.
Alfredo S. Quiroga