11/07/2026 10:27 - Economia
Para quem visita a Argentina, os alfajores são um doce típico e indispensável: consistem em duas camadas de massa macia recheadas com doce de leite ou marmelada, frequentemente cobertas com chocolate. A Alfajores Baltazar S.A., comercialmente conhecida como Alfa Pampa, é uma dessas marcas tradicionais que enchem os olhos nas prateleiras dos supermercados e quiosques.
No entanto, a empresa iniciou formalmente em 25 de junho de 2026 seu processo de recuperação judicial (conhecido localmente como concurso preventivo) perante o Juzgado Comercial N°27, sob a jurisdição da juíza María Virginia Villarroel. Fundada em 2011 com um investimento inicial de 60.000 dólares, a companhia acumula atualmente uma dívida superior a 1.000 milhões de pesos argentinos (ARS).
A situação econômica refletiu-se nos números: as vendas caíram 30%, passando de 3.646 milhões ARS em 2024 para 2.545 milhões ARS em 2025. Isso resultou em uma perda contábil de 1.088,5 milhões ARS.
Atualmente, a capacidade de produção da marca foi reduzida para 750.000 alfajores por mês. A companhia conta com uma equipe de 27 trabalhadores em sua fábrica, cujo futuro é uma das principais prioridades dentro do processo de reorganização judicial. O objetivo é manter a operação ativa e proteger essas fontes de emprego locais.
O concurso preventivo é uma ferramenta legal prevista na Lei de Concursos e Falências da Argentina. Ela permite que empresas em crise financeira reorganizem suas dívidas e evitem a falência. Por meio deste mecanismo, a empresa pode negociar um plano de pagos com seus credores e continuar suas operações comerciais de forma sustentável.
Os credores da Alfa Pampa têm prazo até 9 de outubro de 2026 para apresentar suas reclamações formais. Posteriormente, espera-se a apresentação dos relatórios da sindicatura (administrador judicial), programados para 25 de novembro de 2026 e fevereiro de 2027. Este prazo dará à empresa uma margem para estruturar uma proposta de pagamento viável e manter viva esta icônica marca de doces argentinos.
Alfredo S. Quiroga