12/07/2026 04:28 - Internacionales
Washington, 11 de julho de 2026
A administracao de Donald Trump convocou quatro jornalistas do jornal The New York Times para depor, apos a publicacao de informacoes que revelavam preocupacoes de seguranca em relacao ao novo aviao presidencial Air Force One, um presente do Catar avaliado em cerca de 400 milhoes de dolares. Os reporteros receberam na sexta-feira, 11 de julho de 2026, a ordem do Departamento de Justica para comparecer perante um gran juri em Manhattan na proxima quarta-feira, 15 de julho de 2026.
Os quatro reporteros afetados sao Julian E. Barnes, Eric Schmitt, Tyler Pager e Eric Lipton. Em alguns casos, agentes federais compareceram diretamente as residencias dos jornalistas para entregar as intimacoes judiciais, algo que o jornal considera uma nova demonstracao da determinacao da Administracao Trump em ameacar e intimidar os meios de comunicacao independentes.
David McCraw, advogado do New York Times, declarou:
A comparencia de agentes federais da lei as portas das casas de jornalistas deveria abalar a consciencia de qualquer cidadao norte-americano que acredite na Constituicao e na liberdade de imprensa que ela protege.
O Departamento de Justica indicou que as intimacoes estao relacionadas a uma investigacao sobre violacoes da seguranca nacional. De acordo com um comunicado do orgao, os jornalistas nao sao os alvos da investigacao, mas sim aqueles que estao vazando as informacoes classificadas.
Comunicado do Departamento de Justica:
Nao vamos ignorar a lei nem deixar de investigar as pessoas que trabalham para o Estado e acham que esta certo vazar informacoes classificadas que afetam a seguranca nacional.
O Catar presenteou Trump com o aviao, avaliado em cerca de 400 milhoes de dolares, no ano passado. O Pentagono assumiu a gestao do presente para adaptar o Boeing aos rigorosos requisitos de seguranca de um meio de transporte presidencial e para verificar se nao haviam sido introduzidas vias de possivel espionagem na aeronave.
Apos apresenta-lo a imprensa em uma cerimonia na base aerea de Andrews, nos arredores de Washington, Trump o inaugurou no dia 1 de julho de 2026, em uma viagem ao Dakota do Norte. Nesta semana, o presidente voou nele para Ancara, capital da Turquia, para participar da cupula da OTAN realizada em 9 de julho de 2026.
No entanto, Trump retornou a Washington no antigo Air Force One, o que despertou especulacoes sobre os motivos. O retorno ocorreu em um momento de grande tensao entre os Estados Unidos e o Ira, que trocavam fogo enquanto Trump proclamava o fim da trégua pactuada no meio do conflito iniciado em 28 de fevereiro de 2026. O Ira faz fronteira com a Turquia.
O New York Times publicou, citando fontes anonimas, que o novo Air Force One nao esta equipado com dispositivos antimisseis nem com outras capacidades protetoras, como estao os modelos anteriores. Segundo o jornal, o regresso no antigo aviao presidencial foi feito a pedido do Servico Secreto, o orgao encarregado da protecao presidencial.
Questionado pelos jornalistas que o acompanhavam nesse voo, Trump negou que a mudanca se devesse a razoes de seguranca e declarou que se decidiu deixar o novo aviao em uma base militar dos EUA no Reino Unido como uma cortesia para os soldados ali destacados. O mandatario tambem nao quis responder se o Ira havia feito alguma ameaca credivel contra a aeronave presidencial.
Donald Trump declarou:
Eu sou ameacado constantemente. Sou o primeiro na lista deles [do Ira].
A Casa Branca negou que haja problemas de seguranca no aviao recem-inaugurado. Steven Cheung, diretor de comunicacoes da Casa Branca, declarou em um comunicado:
Ele esta equipado com protocolos de seguranca de alto nivel que garantem a seguranca do presidente e de sua equipe.
Antes da publicacao do artigo, um alto funcionario do FBI havia entrado em contato com um jornalista e um responsavel do jornal para pedir que a noticia nao fosse publicada, com o argumento de proteger a seguranca nacional. O alto funcionario tambem pediu ao jornal que revelasse suas fontes, algo que o Times se recusou a fazer.
Ao longo de seu segundo mandato, Trump recorreu em varias ocasioes ao poder de seu Governo para hostilizar a imprensa. No inicio de 2026, o Departamento de Justica tentou obrigar jornalistas do The Wall Street Journal e do The Washington Post a depor, embora tenha acabado retirando as intimacoes apos ambos os meios apresentarem alegacoes sob segredo de justica.
Em janeiro de 2026, agentes do FBI revistaram a residencia da jornalista do Post Hannah Natanson, e apreenderam telefones, computadores e um relogio inteligente como parte de uma investigacao sobre o manuseio de informacoes classificadas por um contratado. Natanson havia passado meses conversando com funcionarios federais para cobrir as medidas da Administracao Trump para reduzir a forca de trabalho publica.
A Fundacao para a Liberdade de Imprensa condenou a intimacao aos jornalistas do New York Times com uma mensagem contundente:
Quando o Governo alega que precisa investigar jornalistas para proteger a seguranca nacional, na verdade esta se referindo a proteger a seguranca de sua propria reputacao.
A vergonha da Administracao pelos possiveis problemas de seguranca do novo aviao nao se sobrepoe a necessidade de uma imprensa livre e independente.
Alfredo S. Quiroga