13/07/2026 03:17 - Politica
Com a Copa do Mundo de Futebol de 2026 em sua fase final, o governo de Javier Milei acende os motores de sua estratégia eleitoral para as presidenciais de 2027. Segundo meios de comunicação como Cenital e La Nación, o laboratório libertário se concentra em consolidar o poder e melhorar as chances de reeleição.
Nesse contexto, no dia 13 de julho de 2026, o ex-chefe de Gabinete, Guillermo Francos, mostrou-se otimista sobre um novo mandato de Milei: 'Não apenas acredito que é necessário, como também acredito que ele vai conseguir', afirmou em entrevista à LN+.
Uma das pedras angulares do plano oficialista é a eliminação ou suspensão das PASO (Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias, um sistema único na Argentina onde as chapas de cada partido são definidas previamente nas urnas). A teoria interna, impulsionada por Santiago Caputo, sustenta que sem primárias, um peronismo (movimento político histórico na Argentina) fragmentado veria suas possibilidades diminuídas. No entanto, o partido La Libertad Avanza (LLA) ainda não conta com os votos necessários no Senado (precisam de 37 senadores e só têm 21) e enfrenta a resistência do PRO, partido de centro-direita liderado por Patricia Bullrich, que rejeitou as listas colectoras (coligações que compartilham chapas).
Para destravar esse cenário, Diego Santilli atua como ponte negociadora com governadores da UCR (União Cívica Radical) e do PRO. O oficialismo avalia oferecer um cardápio de opções: competir juntos, apresentar listas próprias para dividir a oposição ou não apresentar candidatos libertários para não subtrair votos de aliados.
O governo também planeia enviar ao Congresso um pacote de reformas que inclui uma adaptação local do mecanismo de shutdown (fechamento do Estado) dos Estados Unidos, que seria ativado na existência de déficit fiscal. Esta iniciativa, impulsionada por Luis Caputo e Federico Sturzenegger, busca dar força de lei ao superávit.
O desenho eleitoral libertário contempla um cenário de baixa comparecimento nas urnas. Segundo dados da Câmara Nacional Eleitoral (CNE), o ausentismo nas gerais de 2025 alcançou 34,52% entre jovens de 18 a 30 anos. O laboratório libertário acredita que um núcleo duro de eleitores poderia esticar 32% de intenção de voto até os 40% necessários para evitar o segundo turno (balotaje).
Por outro lado, a inteligência artificial irrompe como um novo ator no ringue eleitoral. Estudos internacionais advertem sobre os vieses de chatbots como ChatGPT, Gemini e Grok. Neste contexto, a visita do tecnocrata Peter Thiel à Argentina ativou especulações. Segundo vazou, Thiel manteve uma reunião com o dirigente social Juan Grabois para debater sobre a encíclica do Papa. Especialistas advertem que a IA poderia ser envenenada localmente para influir na opinião pública de cara a 2027.
Em um tom amigável, a senadora Patricia Bullrich saiu ao encontro das críticas sobre a possível visita da Seleção Argentina à Casa Rosada (sede do governo argentino) após a Copa do Mundo de 2026. 'Os argentinos sabemos separar as coisas. Uma coisa é um governo e outra é torcer pela seleção', expressou Bullrich, destacando que o objetivo é celebrar com o povo na Praça de Maio e não um respaldo político ao Presidente.
O cenário para 2027 perfila-se como uma das eleições mais disruptivas e tecnológicas da história argentina, onde as alianças provinciais, a economia e a tecnologia definirão o futuro do país.
Alfredo S. Quiroga