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A dívida familiar na Argentina: bancos e fintechs em busca de soluções

15/07/2026 10:09 - Economia

O mapa do crédito: quem são os donos da dívida familiar

A situação creditícia na Argentina de 2026 mostra um desafio importante: sete milhões de pessoas apresentam atrasos superiores a 60 dias em seus empréstimos. No entanto, tanto o setor privado quanto o Estado estão implementando programas de resgate e refinanciamento para aliviar a carga familiar e reativar a economia. Para o público estrangeiro, é útil saber que a Argentina convive historicamente com alta inflação, o que torna a dinâmica do crédito muito particular, mas as soluções estão em pleno movimento para proteger as famílias.

Segundo informou Letra P em 14 de julho de 2026, os devedores incluem desde jovens com trabalhos informais que se endividaram com plataformas de delivery até trabalhadores estatais. Os credores principais são grandes bancos comerciais e fintechs, que estão adaptando suas estratégias para evitar perdas totais e ajudar os clientes a regularizar sua situação de forma personalizada.

Conceitos chave para entender o crédito na Argentina

  • Mora (Inadimplência): É o atraso no pagamento de uma parcela ou dívida. Na Argentina, considera-se carteira irregular a partir do nível 3, quando o atraso supera os 90 dias.
  • CFT (Custo Financeiro Total): É o custo final que um cliente paga por um empréstimo, incluindo juros, comissões e despesas. Costuma ser expresso em taxa anual. No país, é a métrica real para entender quanto se paga.
  • Fintech: Empresas que utilizam a tecnologia para oferecer serviços financeiros, como empréstimos através de aplicativos móveis, sem necessidade de agências físicas.
  • UVA (Unidade de Valor Aquisitivo): Uma unidade de medida argentina ajustada pela inflação. Empréstimos atrelados à UVA variam seu valor de acordo com o custo de vida, uma ferramenta comum para taxas mais justas.

O papel dos bancos tradicionais

Até abril de 2026, a irregularidade dos empréstimos bancários a pessoas físicas apresentava uma média de 12,1%, um aumento em comparação aos 3,7% do ano anterior. Os bancos estão contatando um a um seus clientes para oferecer refinanciamentos artesanais com taxas de 25%, conseguindo reprogramar cerca de 300.000 empréstimos.

BancoInadimplência atualInadimplência ano anterior
Galicia7,7%2,7%
Santander10,6%2,6%
BBVA9,75%2,43%
Macro6,92%1,81%

O universo das fintechs e lojas de eletrodomésticos

Em maio de 2026, a inadimplência em entidades não bancárias chegou a 28,7%. No ambiente digital, Naranja X lidera com 36,6% do mercado de empréstimos não bancários e uma taxa de inadimplência de 25,1%, enquanto Mercado Pago possui 15,9% do mercado e conseguiu reduzir sua irregularidade para 17,3% graças a um trabalho proativo de refinanciamento.

Por sua vez, as tradicionais casas de eletrodomésticos argentinas (lojas que vendem aparelhos com financiamento próprio), como Frávega (57%), Megatone (55,4%) e Cetrogar (54,3%), mostram os níveis de inadimplência mais altos, embora movam quantidades de dinheiro menos significativas em termos sistêmicos.

Soluções em marcha: o Estado ao resgate

Diante deste cenário, os estados nacional e provinciais aceleraram planos de alívio. Na segunda-feira, 14 de julho de 2026, o chefe de Governo da cidade de Buenos Aires, Jorge Macri, anunciou um programa de refinanciamento no Banco Ciudad com benefícios fiscais e taxas que não superam 35% ao ano. O Banco Provincia oferece taxas de 30% a 50%, e o Banco Nación lançou linhas a uma taxa de UVA mais 12%. Os refinanciamentos cresceram quase 150% entre outubro e maio, demonstrando que o sistema está ativo para proteger as famílias argentinas e reativar o consumo.

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga