14/06/2026 12:17 - Actualidad
Veteranos de guerra argentinos ancianos sentados en círculo en un parque, tomando mate, con banderas de Argentina y la Cruz Roja de Malvinas de fondo, atmósfera de respeto y camaradería.
O 14 de junho de 2026 marca o 44º aniversário da rendição argentina nas Ilhas Malvinas. Para os leitores brasileiros, é importante contextualizar: a guerra das Malvinas (ou Falklands para os britânicos) foi um conflito entre Argentina e Reino Unido em 1982. Embora o calendário oficial registre o fim do conflito bélico nesta data, para os ex-combatentes, esse dia simboliza o início de outra batalha, talvez mais silenciosa e dolorosa: o regresso a casa e a reconstrução de suas vidas. Em cidades como La Plata e General Pico, os veteranos protagonizam hoje uma história de resiliência e apoio mútuo que merece ser contada.
Pedro Mercol, um veterano de General Pico (província de La Pampa), é um dos poucos que permaneceu nas ilhas desde o 2 de abril até o 14 de junho de 1982. Integrante da Companhia Delta do Batalhão de Infantaria 2, Mercol descreveu o combate final na Península Camber na noite do dia 13 de junho.
"Aproximadamente às 11 da noite começou. Prolongou-se toda a madrugada. Às 9 da manhã do dia 14 de junho chegou a ordem: juntar fuzis e munições. Não sabíamos que a guerra havia terminado".
Durante cinco dias, ele e seus companheiros foram prisioneiros no aeroporto, ao relento e sem provisões. Mercol enfatiza a importância de difundir a memória sem partidarismos: "Verdadeiramente herói é quem deixou sua vida".
Em La Plata (capital da província de Buenos Aires), a volta à democracia trouxe consigo o silêncio e o abandono por parte do Estado. Gustavo Luzardo, ex-combatente do Regimento 7, conta que a contenção chegou de quem falava "o mesmo idioma": seus companheiros.
Ernesto Alonso, do Centro de Ex-Combatentes das Ilhas Malvinas (Cecim), define este vínculo como uma grande família: "Somos uma grande família. Nos chamamos de 'hermanos de la turba'". Nota: 'Turba' é uma gíria militar argentina que se refere ao grupo de recrutas da mesma classe, equivalente à 'turma' no Brasil. Hoje, a tecnologia facilita esse laço. Grupos de WhatsApp como "Primera Sección Siempre Unidos" permitem monitorar o dia a dia.
"Se vemos alguém caído, porque as baixas continuam aparecendo, falamos com a família... Tentamos ajudar". - Gustavo Luzardo.
A história institucional também reflete uma luta constante. Alonso recorda que a Lei Nacional 23.109 (1985) e a Lei Provincial 10.428 (1986) estabeleceram as bases, embora sua aplicação tenha sido lenta. O Hospital Reencontro em La Plata tornou-se um pilar fundamental para a saúde mental dos veteranos. Abaixo, um resumo das conquistas legais:
| Ano | Conquista/Lei | Significado |
|---|---|---|
| 1985 | Lei Nacional 23.109 | Garante atenção médica, trabalho, moradia e educação (regulamentada apenas em 1988). |
| 1986 | Lei Provincial 10.428 | Garante cobertura do IOMA (obra social provincial), juntas médicas e moradia em planos oficiais. |
| 2005 | Programa PAMI Veteranos | Criação de partida específica para saúde através do PAMI (instituto de previdência social argentino). |
Apesar dos avanços, estima-se que mais de 500 veteranos tenham falecido por suicídio a nível nacional, um verdadeiro "abalo sísmico" que evidenciou a falta de contenção inicial. A rede de apoio atual é a resposta a décadas de esquecimento.
Pedro Mercol aconselha os jovens a não ficarem com uma só versão dos fatos: "Leiam três, quatro livros, três, quatro autores, e daí deduzam. Não fiquem com o que alguém lhes diz. Eu posso estar mentindo, mas escutem-me, e depois leiam".
Alfredo S. Quiroga
Conspiraciones