16/06/2026 21:31 - Politica
Em um cenário político complexo na Argentina, o bloco do La Libertad Avanza (o partido do presidente Javier Milei) no Senado busca blindar a chamada "Lei Hojarasca". Nesta quarta-feira, 17 de junho, às 15h, será realizado um plenário das comissões de Assuntos Constitucionais e Legislação Geral, presididas pelos legisladores libertários Agustín Coto e Nadia Márquez, respectivamente.
O objetivo é obter um parecer rápido para tratar a iniciativa no plenário antes do fim do mês. O projeto, impulsionado pelo ministro de Desregulação, Federico Sturzenegger, já conta com a aprovação da Câmara dos Deputados, onde obteve 139 votos a favor, 96 contra e nove abstenções em maio passado.
A Argentina possui um sistema legislativo bicameral (Câmara dos Deputados e Senado), similar ao Brasil. Para que uma lei seja aprovada, precisa passar por ambas as casas. A "Lei Hojarasca" (algo como "Lei Folhagem" em português) é uma expressão que se refere à limpeza de normas antigas e inúteis.
A iniciativa propõe uma limpeza normativa profunda. Busca-se derogar 62 leis, remover artigos de outras três, modificar quatro e suspender dois decretos que o governo considera ultrapassados, burocráticos ou contrários às liberdades individuais.
O projeto também eliminou durante sua tramitação inicial certos artigos questionados, como os que concedem credenciais de livre trânsito a legisladores e o financiamento do Círculo de Legisladores, preservando esses benefícios após o debate na Câmara.
A convocatória para quarta-feira não é coincidência. Segundo fontes legislativas consultadas pelo Infobae e Ámbito, a prioridade do governo é evitar que o debate se desvie para temas que geram tensões internas dentro do bloco e com seus aliados.
O projeto de "Ficha Limpia" (algo como "Ficha Limpa") é uma reforma política que busca impedir que pessoas condenadas pela justiça possam se candidatar a cargos públicos. Similar à legislação brasileira sobre ficha limpa, gera resistência em setores do governo argentino.
A presidente do bloco, Patricia Bullrich (ministra de Segurança do governo Milei), enfrenta uma situação delicada. Seus aliados despedaçaram um projeto seu em comissões, e agora precisa demonstrar unidade em torno da lei de Sturzenegger.
A tensão legislativa não termina na quarta-feira. Espera-se que na reunião de Labor Parlamentar de quinta-feira seja definida a pauta da sessão semanal. Ali, o kirchnerismo (corrente política vinculada aos ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner) pressiona para incluir a interpelação ao chefe de Gabinete, Manuel Adorni, enquanto radicais e macristas avaliam sua posição.
O kirchnerismo é uma corrente política peronista de centro-esquerda que governou a Argentina entre 2003 e 2015. No Brasil, seria equivalente a uma força política de esquerda com forte presença sindical. Os radicais referem-se à União Cívica Radical (UCR), partido de centro tradicional. Macristas são seguidores de Mauricio Macri, ex-presidente e líder do PRO.
O Governo busca que a "Hojarasca" avance sem modificações para evitar que o texto volte à Câmara dos Deputados, o que implicaria perder a iniciativa legislativa em um momento em que a gestão necessita de vitórias rápidas.
Alfredo S. Quiroga