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Igreja Católica argentina critica projeto de Milei sobre propriedade privada e alerta sobre enfraquecimento do Estado

17/06/2026 15:11 - Politica

Catedral católica con cúpula dorada y cruz iluminada al atardecer frente a edificio gubernamental moderno en Buenos Aires, representando el diálogo entre la Iglesia y el Estado argentino

Igreja e Governo: um novo ponto de tensão na Argentina

A Conferência Episcopal Argentina (CEA) — instituição equivalente à CNBB no Brasil — emitiu um comunicado no qual questiona frontalmente o projeto de Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada que impulsiona a administração de Javier Milei. Segundo fontes próximas ao episcopado, os bispos manifestaram sua preocupação pelas implicações que esta normativa teria sobre a capacidade do Estado de regular atividades econômicas e proteger o interesse geral.

O projeto, que forma parte do pacote de reformas do governo libertário, busca estabelecer garantias constitucionais reforçadas para a propriedade privada, limitando significativamente as faculdades do Estado para intervir em questões econômicas, ambientais e sociais.

Contexto para brasileiros: Javier Milei é o presidente argentino desde dezembro de 2023, eleito com propostas de reformas profundas no Estado e na economia. O seu governo implementa políticas de corte libertário, com fortes críticas ao intervencionismo estatal.

Os argumentos da Igreja

A hierarquia eclesiástica sustentou que:

  • A propriedade privada tem uma função social que não pode ser ignorada
  • O Estado deve conservar potestades para garantir o bem comum
  • A iniciativa poderia gerar desequilíbrios na proteção de direitos trabalhistas e ambientais
  • O documento dos bispos cita a Doutrina Social da Igreja sobre a propriedade

Contexto político atual

Este novo episódio de tensão se soma a um momento particularmente complexo para o governo de Milei:

  • Manuel Adorni, Chefe de Gabinete, enfrenta uma moção de censura com 120 assinaturas de 129 necessárias na Câmara dos Deputados
  • Risco país em 425 pontos básicos, o nível mais baixo desde abril de 2018
  • Calificação S&P melhorada de CCC+ para B-
  • Governo suspendeu reuniões de gabinete e mesa política

A Doutrina Social da Igreja sobre a propriedade

A Igreja Católica sustenta tradicionalmente que a propriedade privada cumpre uma função social. O Catecismo da Igreja Católica estabelece que "o destino universal dos bens ordena que a propriedade privada se ordene também ao bem comum". Esta postura doutrinal foi reiterada por papas desde Leão XIII até Francisco, quem na encíclica Fratelli Tutti (2020) sublinhou que "o direito à propriedade privada só pode ser considerado como um direito natural secundário".

"A tradição cristã nunca reconheceu o direito à propriedade privada como absoluto e intocável, senão que o entendeu no marco do direito comum de todos os homens de usar os bens da criação." — Papa Francisco, Fratelli Tutti (2020)

Contexto: O que estabelece o projeto?

O projeto de Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada busca elevar a nível constitucional proteções reforçadas para a propriedade, limitando as faculdades do Estado de intervir, expropriar ou regular atividades econômicas. Críticos advertam que poderia afetar:

Área Possível impacto segundo críticos
Direitos trabalhistas Limitações para regular condições de trabalho
Proteção ambiental Menores faculdades para estabelecer restrições ecológicas
Política econômica Redução de instrumentos de intervenção estatal
Direitos de consumidores Possível enfraquecimento de regulações protetoras

Um diálogo histórico

A relação entre a Igreja Católica e o governo de Milei teve altos e baixos desde o início da gestão. Milei foi crítico com aspectos da gestão eclesiástica, enquanto os bispos manifestaram preocupações sobre as políticas sociais e econômicas implementadas.

Este novo capítulo se soma a debates prévios sobre reformas trabalhistas, previdenciárias e a Lei Ômnibus — um projeto de lei que englobava múltiplas reformas em um único texto —, onde a Igreja também expressou sua posição defendendo os direitos dos mais vulneráveis.

Para entender melhor: A Lei Ômnibus era um pacote de reformas proposto por Milei que incluía mudanças em diversas áreas como trabalho, previdência e economia, tudo em um único projeto de lei. A Igreja se posicionou contrária a várias dessas medidas por considerar que afetariam os setores mais vulneráveis da sociedade.

Fonte: LA NACIÓN - Ver notícia original

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga