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UE sob fogo por reunir-se com Talibã em Bruxelas

25/06/2026 23:17 - Internacionales

Encontro controverso em território europeu

A União Europeia encontra-se no centro de uma tempestade diplomática após confirmar-se que uma delegação do Talibã viajou a Bruxelas para realizar reuniões com funcionários europeus. O encontro, programado para 23 de junho de 2026, marca a primeira vez que o bloco europeu recebe oficialmente o grupo fundamentalista desde seu retorno ao poder no Afeganistão em agosto de 2021.

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores afegão, Abdul Qahar Balkhi, confirmou que a delegação recebeu cinco vistos de um dia emitidos pelo Ministério de Relações Exteriores da Bélgica. A agenda inclui discussões sobre a possível retomada de serviços consulares para afegãos na UE e medidas de construção de confiança.

⚠️ Críticas internacionais

A prêmio Nobel da Paz Malala Yousafzai, sobrevivente de um atentado de militantes do Talibã no Paquistão quando tinha 15 anos, expressou estar "chocada e profundamente perturbada" pelo convite europeu.

"O Talibã apagou as mulheres e meninas da vida pública", declarou Malala, destacando que o regime proibiu a educação de meninas além do sexto ano.

O eurodeputado socialista espanhol Juan Fernando López Aguilar classificou a reunião como "uma ultraje absoluto e uma perda total de fé na credibilidade da União Europeia".

📜 Contexto do regime talibã

Desde seu retorno ao poder em 2021:

  • Proibição a meninas de estudar além do sexto ano
  • Em 2024, proibiram as mulheres de falar ou mostrar seus rostos fora de casa
  • Dois líderes do Talibã têm ordens de prisão da Corte Penal Internacional por crimes contra a humanidade
  • Perseguição sistemática de mulheres e meninas

🎯 O objetivo europeu: deportações

A Comissão Europeia confirmou em maio de 2026 que mantém conversações com o Talibã desde janeiro de 2026 para discutir como escalar as deportações de migrantes afegãos. A reunião foi coordenada com a Suécia depois que 20 estados membros solicitaram vias concretas para deportar afegãos sem permissões de residência legal ou considerados risco de segurança.

No entanto, 83 organizações de direitos humanos afegãs e internacionais assinaram uma carta aberta expressando "grave preocupação" pelas intenções da UE.

40%

da população afegã sofre fome segundo o Comitê Internacional de Resgate

+100

deportados da Alemanha desde agosto de 2024

28

cidadãos afegãos em voo charter desde Alemanha em agosto de 2024

⚠️ Riscos das deportações

Um relatório da ONU do ano anterior documentou que muitos afegãos retornados ao país experimentaram prisão arbitrária, detenção, tortura e maus-tratos pelas autoridades. Shagofah Ghafori, do Centro de Estudos de Política Europeia com sede em Bruxelas, alertou:

"Se a UE prosseguir com as deportações, o fará com pleno conhecimento de que muitos retornados terminarão em celas de tortura ou valas comuns."

Análise: Normalização silenciosa?

Embora a UE tenha declarado que a reunião não constitui um reconhecimento do Talibã, especialistas como Shagofah Ghafori alertam que está ocorrendo algo mais insidioso:

"O que Bruxelas oferece em troca é algo mais insidioso: normalização. E a normalização não requer um tratado assinado. Ocorre gradualmente, através de conceder vistos, salas de reuniões e a substituição silenciosa do princípio pela transação."

A eurodeputada alemã verde Hannah Neumann alertou também que deportar jovens afegãos à pobreza e ao desespero poderia fortalecer precisamente as estruturas que mantêm o Talibã no poder.

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga