26/06/2026 09:14 - Economia
Em 25 de junho de 2026, a Câmara de Deputados da Argentina aprovou o projeto de criação do Régime de Incentivo para Grandes Investimentos em Novas Indústrias, conhecido como Super RIGI, com 130 votos a favor e 106 contra. A iniciativa foi apresentada pelo deputado Bertie Benegas Lynch e representa uma das principais apostas econômicas do governo para atrair investimento estrangeiro em setores de alta tecnologia.
Para os investidores brasileiros e internacionais, é importante entender que a Argentina está buscando competir com mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia na captação de investimentos em indústrias de fronteira tecnológica.
O RIGI (Régimen de Incentivo para Grandes Inversiones) é um marco legal argentino que oferece benefícios fiscais, aduaneiros e cambiais para grandes investimentos. O Super RIGI é uma versão ampliada e especial, focada exclusivamente em investimentos superiores a USD 1.000 milhões (aproximadamente R$ 5 bilhões) em setores estratégicos.
Contexto para investidores: A Argentina possui vastos recursos naturais (lítio, urânio, terras raras) e está posicionada estrategicamente para se tornar um polo de indústrias de alta tecnologia. Este regime busca superar a volatilidade econômica histórica do país com garantias legais de longo prazo.
O regime está focado em setores estratégicos com escassa presença atual na Argentina, mas com enorme potencial de crescimento:
| Setor | Atividades incluídas | Potencial regional |
|---|---|---|
| Mineração estratégica | Industrialização de lítio, urânio, terras raras e minerais críticos. | A Argentina possui uma das maiores reservas de lítio do mundo, essencial para baterias de veículos elétricos. |
| Energias renováveis | Hidrogênio verde, painéis solares, turbinas eólicas. | A Patagônia argentina tem condições ideais para energia eólica. |
| Automotriz elétrica | Fabricação de veículos elétricos, baterias de lítio. | Integração com a indústria automotiva brasileira é possível. |
| Tecnologia avançada | Inteligência artificial, semicondutores, data centers. | Crescimento global exponencial, poucos países com incentivos específicos. |
| Biotecnologia | Pesquisa genética, desenvolvimento farmacêutico, agricultura de precisão. | A Argentina é um gigante agrícola com potencial para biotecnologia aplicada. |
| Indústria nuclear | Reatores nucleares pequenos e médios (SMR). | A Argentina já opera reatores nucleares e possui know-how reconhecido. |
Contexto político: A Argentina tem um sistema multipartidário complexo. Os partidos que apoiaram são a coalizão governista e aliados moderados:
O bloco Elijo Catamarca se absteve.
Oposição: Partidos de esquerda e centro-esquerda questionam os benefícios fiscais:
A legisladora Roxana Monzón (UxP) questionou duramente a iniciativa, argumentando que os benefícios excessivos poderiam prejudicar as pequenas e médias empresas (PyMEs) argentinas:
"A pergunta enganosa não é investimentos sim ou não, a pergunta é: Qual é o preço desses investimentos? Quanto vale renunciar às regalias? Quanto vale renunciar aos fornecedores locais e nacionais? Quanto vale renunciar a que um juiz argentino resolva os conflitos em território argentino? Porque um capital sério não precisa de impunidade."
O regime pode atrair grandes multinacionais de setores como:
Empresas de extração e processamento de lítio, urânio e terras raras para a transição energética global.
Fabricantes de semicondutores, data centers e empresas de inteligência artificial buscando localização estratégica.
Desenvolvedores de hidrogênio verde, energia eólica e solar para exportação.
O regime é exclusivo para grandes investimentos (superiores a USD 1 bilhão), então:
Nota: Para investidores brasileiros de menor porte, a Argentina tem outros regimes de incentivo, mas o Super RIGI é específico para projetos bilionários.
O projeto agora segue para o Senado argentino. Se aprovado, se tornará lei e poderá começar a atrair investimentos. Para investidores brasileiros e internacionais, esta é uma oportunidade de acompanhar uma mudança significativa no cenário de investimentos na América do Sul.
Alfredo S. Quiroga