27/06/2026 09:30 - Internacionales
No domingo 21 de junho de 2026, a Colômbia definiu seu futuro em um segundo turno eleitoral que deixou o país claramente dividido. Segundo os dados do pré-contagem divulgados por meios como BBC Mundo, o candidato de direita Abelardo De la Espriella obteve 49,66% dos votos (aproximadamente 12.960.166 sufrágios), superando por uma margem mínima o senador de esquerda Iván Cepeda, que colheu 48,70% (12.708.312 votos). A diferença foi de menos de um ponto percentual.
Enquanto a vice-presidente saiente, Francia Márquez, reconheceu publicamente o resultado e desejou êxito ao novo mandatário, o atual presidente Gustavo Petro ainda não aceitou a derrota, questionando a transparência do processo, segundo informou Infobae. De la Espriella assumirá a presidência no próximo 7 de agosto.
Gustavo Petro foi o primeiro presidente de esquerda na história da Colômbia, eleito em 2022. Sua gestão focou em reformas sociais e ambientais, gerando tensões com setores empresariais. Francia Márquez, sua vice-presidente, é uma líder afro-colombiana reconhecida internacionalmente por seu ativismo ambiental.
O programa de governo do presidente eleito marca uma ruptura total com a administração Petro. De la Espriella promete uma forte redução do Estado (até 40%), diminuição de impostos e uma aposta decidida pelo setor energético, incluindo a reativação do fracking e novas rodadas de exploração petrolífera.
Alberto Bernal, economista-chefe da XP Investments, sintetizou a magnitude da mudança em diálogo com Ámbito: "Petro e De la Espriella são água e óleo. É como Milei e Cristina". O analista antecipa que o novo governo poderia implementar medidas similares às argentinas, como um "czar da eficiência econômica", e focar em melhorar o clima de negócios.
Javier Milei é o atual presidente da Argentina (desde dezembro de 2023), economista libertário que implementou um plano de ajuste fiscal drástico. Cristina Fernández de Kirchner foi presidente da Argentina (2007-2015) e vice-presidente (2019-2023), líder do peronismo e símbolo da esquerda argentina. A comparação ilustra o contraste ideológico radical entre as gestões.
Para a Argentina, a mudança de comando em Bogotá tem leituras tanto políticas quanto comerciais. Durante o governo de Petro, a relação diplomática com Javier Milei foi de constante tensão. Com a chegada de De la Espriella, espera-se uma maior afinidade ideológica que destrave diálogos políticos.
No entanto, no comercial, os analistas consultados não antecipam uma reviravolta imediata. Federico Bernini, especialista em comércio internacional, explicou à Ámbito que o intercâmbio se manteve estável apesar dos roces políticos. Em 2025, a Argentina teve um superávit comercial com a Colômbia de USD 602 milhões (exportações por USD 917 milhões e importações por USD 315 milhões).
| Rubro | Impacto |
|---|---|
| Exportações Argentinas | Automóveis e pickups (50%), cevada, óleos de soja e girassol. |
| Importações | Combustíveis, café, óleo de coco. |
| Desafio 2026 | Se o ajuste colombiano esfriar a demanda, as importações poderiam cair. |
A expectativa é que uma melhor relação bilateral facilite negociações setoriais, como cotas automotivas ou protocolos sanitários, embora o fluxo comercial dependerá mais do ciclo econômico colombiano que da afinidade política.
O COLCAP é o principal índice da bolsa de valores da Colômbia, composto pelas ações mais líquidas do mercado. A Ecopetrol é a empresa estatal de petróleo e uma das maiores da região, considerada um termômetro da economia colombiana.
Alfredo S. Quiroga