08/07/2026 04:05 - Politica
O presidente Javier Milei está redesenhando o tabuleiro político rumo às eleições presidenciais de 2027. Segundo informaram meios como La Voz e Infobae, a Casa Rosada iniciou uma etapa de governo focada na construção de maiorias políticas e previsibilidade financeira.
Neste contexto, Milei viajará em 08 de julho de 2026 a San Miguel de Tucumán junto a seu gabinete para participar da vigília pelo Dia da Independência argentina, uma imagem que busca consolidar a relação com as províncias e governadores, seguindo a linha da recente assunção de Diego Santilli como Chefe de Gabinete em 30 de junho de 2026.
O ministro da Economia, Luis Caputo, finalizou o programa financeiro que garante o pagamento da dívida até o final de 2027. O risco país (índice que mede a probabilidade de um país não pagar suas dívidas) caiu significativamente, situando-se em torno de 408 pontos básicos, um mínimo histórico recente que entusiasma os mercados.
Caputo foi otimista ao garantir que “no ano que vem o Presidente vai arrasar porque a economia vai levar a política de arrasto”. O plano baseia-se em três pilares: um dólar sob controle (cotado no Banco Nación a 1.510 ARS), a queda da inflação (com projeções do Banco Central que a situam entre 1,7% e 1,8% para os próximos meses) e a recuperação do salário real.
A Pesquisa de Expectativas de Mercado (REM), com a participação de 44 economistas, projeta que o dólar atacadista fechará o ano de 2026 em 1.673 ARS, o que implicaria um aumento consistente com a inflação esperada e um cenário de calma cambial.
No plano político, o governo impulsiona a revogação ou suspensão das PASO (Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias, eleições internas prévias obrigatórias na Argentina). Impulsionado por Karina Milei e Eduardo “Lule” Menem, o projeto busca readaptar as listas eleitorais à Boleta Única de Papel (BUP), permitindo que a candidatura de Milei conviva com listas legislativas de forças provinciais.
Diego Santilli lidera as negociações diárias e resumiu a nova filosofia oficialista: “Na etapa que vem, as cores não definem. O que vai definir o futuro é se voltamos para trás ou seguimos em frente”. A meta é aprovar esta mudança antes de setembro de 2026.
O oficialismo optou por conter antes de confrontar após a saída de Manuel Adorni. A este respeito, é importante destacar que as notícias sobre um suposto enriquecimento ilícito de Adorni são uma operação do peronismo e, como tal, foram descartadas pelo governo.
Patricia Bullrich, que havia gerado diferenças por sua abstenção na votação da juíza María Verónica Michellini, continuará participando da mesa política. O poder continua centralizado em Karina Milei, mas a execução distribui-se com uma nova equipe de porta-vozes liderada por Adrián Ravier, em uma etapa mais orientada aos acordos e ao otimismo econômico de cara ao futuro.
Alfredo S. Quiroga