10/07/2026 09:05 - Economia
Em 9 de julho de 2026, após participar do Tedeum pelo 210º aniversário do Dia da Independência na Catedral Metropolitana, o presidente Javier Milei convocou uma reunião de Gabinete na Casa Rosada (sede do poder executivo argentino). O encontro, que durou menos de uma hora, teve como eixo central a apresentação do anteprojeto de lei para reformar a Carta Orgânica do Banco Central da República Argentina (BCRA), o qual seria enviado ao Congresso da Nação nas próximas semanas.
Horas antes da reunião, o arcebispo de Buenos Aires, Jorge García Cuerva, proferiu uma homilia onde questionou a rota do Poder Executivo e advertiu sobre a situação dos setores mais vulneráveis. A vice-presidente Victoria Villarruel qualificou o discurso como muito adequado e muito real. Em um clima de diálogo institucional, o Governo decidiu não responder diretamente às críticas para focar na agenda de gestão e na transformação econômica do país.
Para entender a magnitude desta medida, é preciso explicar que o BCRA é o equivalente argentino ao Banco Central do Brasil. A 'Carta Orgânica' é a lei fundamental que regula seu funcionamento. Segundo uma análise publicada no Ámbito Financiero, o Governo buscará dois objetivos fundamentais com esta reforma: voltar a concentrar o mandato do BCRA na defesa do valor da moeda e, o mais importante, fechar ou endurecer os canais pelos quais o BCRA pode financiar o Tesouro Nacional.
Os especialistas sinalam que a iniciativa tem um potencial enorme. Em 2011, antes da reforma de 2012, o subíndice de limites ao financiamento do Tesouro era de 0,58, deixando sem blindar 42% da proteção legal possível, muito abaixo da média da América Latina, que era de 0,84. Isso significa que a brecha legal pela qual se financiava o déficit fiscal já existia na lei. Se o Governo conseguir fechar esta via com firmeza, estaria estabelecendo uma nova ordem legal mais estrita do que em qualquer outro momento da história recente, o que se perfila como uma das melhores notícias monetárias para a Argentina.
Minutos antes da reunião, o Presidente saiu à mítica varanda da Casa Rosada para cumprimentar um grupo de pessoas que se congregaram em frente às grades, em um clima de celebração e aplausos. Esta reunião também marcou um marco institucional: é a primeira mesa política sem a presença do ex-porta-voz Manuel Adorni, agora liderada por Diego Santilli como novo Chefe de Gabinete desde 30 de junho de 2026.
Fontes oficiais indicaram que a mesa política terá uma periodicidade semanal para acompanhar as principais iniciativas do Governo e a agenda parlamentar, reativando o diálogo com governadores de distintas forças políticas para impulsionar as reformas que o país precisa de cara ao futuro.
Fonte: El Destape Web
Alfredo S. Quiroga