20/07/2026 18:54 - Politica
Após um primeiro semestre desafiador, o Governo nacional da Argentina redefine sua estratégia parlamentar para a segunda metade do ano. Segundo informou o jornal LA NACION em 20 de julho de 2026, a prioridade do oficialismo centrar-se-á em três frentes: a reforma político-eleitoral, o envio do Orçamento 2027 e um conjunto de iniciativas econômicas que o presidente Javier Milei busca consolidar antes da corrida pela reeleição.
O chefe de Gabinete, Diego Santilli, assegurou em diálogo com o meio MDZol que a reforma eleitoral será aprovada neste trimestre, projetando um avanço no Congresso para setembro de 2026. A iniciativa busca eliminar as PASO (Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias) para a próxima eleição presidencial.
Para um estrangeiro entender: as PASO são um sistema único na Argentina onde todos os partidos votam internamente no mesmo dia para escolher seus candidatos a presidente. O Governo deseja eliminá-las ou suspendê-las para acelerar o processo eleitoral.
Caso não consiga os votos para a eliminação definitiva, o Governo avalia a suspensão temporária, repetindo a fórmula aplicada em 2025. Como novidade, perfila-se o possível retorno do sistema de colectoras. Isto é uma ferramenta eleitoral que permite a diferentes governadores aliados manter suas listas locais de candidatos, mas somando votos para a candidatura presidencial de La Libertad Avanza (LLA).
Este esquema, impulsionado pela secretária geral Karina Milei, busca ampliar o apoio territorial. No entanto, meios como BAE Negocios assinalaram em 19 de julho de 2026 que existe certa desconfiança por parte de alguns mandatários provinciais, como o governador de Catamarca, Raúl Jalil, que apoiam a suspensão das PASO, mas mostram receios em comprometer seu apoio presidencial com tanta antecedência.
Paralelamente à reforma política, o oficialismo prepara um conjunto de medidas econômicas. Destaca-se a ampliação do régimen de inocência fiscal, um novo esquema de regularização de ativos não declarados (conhecido como blanqueo) que o ministro da Economia, Luis Caputo, poderá anunciar em quarta-feira, 22 de julho de 2026, durante uma coletiva de imprensa. A iniciativa aspira ampliar o universo de aderentes para incrementar a entrada de dólares no circuito formal.
Em agosto de 2026, projeta-se o envio da reforma à Carta Orgânica do Banco Central da República Argentina (BCRA), que proibiria a emissão monetária sem respaldo, e a lei de shutdown, destinada a limitar a execução do gasto público quando se esgotarem as dotações orçamentárias. Estes projetos buscam aportar estabilidade financeira de cara ao ciclo eleitoral.
A agenda também inclui projetos com meia sanção na Câmara de Deputados que esperam tratamento no Senado, como o chamado Súper RIGI (Regime de Incentivos para Grandes Investimentos), que ofereceria benefícios fiscais por 30 anos a investimentos superiores a US$ 1.000 milhões em novas indústrias. Do mesmo modo, o ministro da Desregulação, Federico Sturzenegger, impulsiona reformas como uma nova Lei Geral de Sociedades que incorpora figuras automatizadas vinculadas a blockchain e inteligência artificial, e um pacote sobre propriedade privada. Todos estes temas fazem parte de um amplo debate que se reativará após o recesso de inverno no Hemisfério Sul.
Alfredo S. Quiroga