Para esta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, os sindicatos convocaram uma greve de 24 horas. No entanto, a Universidade de Buenos Aires (UBA), a maior da Argentina, anunciou que suas faculdades permanecerão abertas, deixando a adesão a critério pessoal. Enquanto o Governo ratifica os pagamentos, um juiz convocou as partes para o dia 21 de agosto em busca de uma solução pacífica.

O conflito universitário busca caminhos de diálogo na Argentina

Esta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, as universidades nacionais argentinas atravessam uma jornada de greve de 24 horas convocada por agrupações sindicais, em meio a um cenário complexo que está se aproximando de uma resolução judicial promissora.

A postura da UBA

A Universidade de Buenos Aires (UBA), a maior e mais prestigiada instituição de ensino superior da Argentina, antecipou que suas portas permanecerão abertas durante a medida de força. Para quem não conhece o sistema argentino, as universidades públicas são gratuitas e autônomas. O vice-reitor Emiliano Yacobitti destacou que a adesão à greve ficará a critério pessoal de cada professor e funcionário, priorizando a continuidade institucional e o direito dos estudantes de assistir às aulas.

A greve foi promovida por federações como FEDUN, FAGDUT, FATUN e CONADU Histórica. Eles exigem a aplicação efetiva da Lei de Financiamento Universitário (Lei 27.795), uma atualização salarial e o envio de verbas para os hospitais universitários.

A resposta do Governo Nacional

Do Ministério da Capital Humano, comandado por Sandra Pettovello, ratificou-se o cumprimento dos compromissos salariais e qualificou a medida de força como de caráter político, argumentando que não há descumprimento por parte do Poder Executivo.

Segundo o comunicado oficial, o Governo já transferiu $666.823.011.021 ARS (Pesos Argentinos) em conceito de gastos com pessoal e aumentos salariais correspondentes a junho e primeira parcela do 13º salário, além de $448.544.808.500 ARS referentes ao mês de julho. Adicionalmente, detalhou o envio de verbas aos hospitais universitários, como $20.000.000.000 ARS à UBA. A próxima mesa de negociação salarial foi convocada para 1 de setembro de 2026.

As reivindicações sindicais

As organizações sindicais sustentam que a ata de negociação assinada em 10 de junho, que estipulou um aumento de 24,33%, não é suficiente para cobrir a perda salarial histórica devido à inflação. Reivindicam uma recomposição próxima a 28,5% tendo como referência os valores de novembro de 2023.

Além disso, exigem o envio de uma verba extraordinária de $50.000 milhões ARS para hospitais universitários e recordam que a Lei 27.795 foi sancionada pelo Congresso argentino há quase 300 dias e ainda não foi totalmente executada.

Intervenção judicial e próximos passos

O juiz Martín Cormick, titular do Juizado Contencioso Administrativo Federal N° 11, convocou uma audiência para o 21 de agosto de 2026 com o objetivo de desbloquear o conflito. A iniciativa foi da UBA e contou com a conformidade do Governo, enquanto o Conselho Interuniversitário Nacional (CIN) anunciou que comparecerá, apesar de sustentar que a medida cautelar deve ser cumprida imediatamente.

Em junho de 2026, a Corte Suprema de Justiça da Argentina confirmou a medida cautelar que obriga o Governo a aplicar os artigos de atualização salarial e bolsas de estudo da Lei 27.795, abrindo caminho para uma solução. Se não houver acordos, a CONADU Histórica planeja uma greve de 18 a 22 de agosto, somando novas jornadas de visibilidade que esperam não ser necessárias se houver avanço no diálogo.