O que está acontecendo em Santa Fe?
A província de Santa Fe, localizada na região central da Argentina, declarou oficialmente emergência hídrica em todo o seu território. O motivo? A chegada de um fenômeno climático conhecido como El Niño, que promete ser um dos mais intensos das últimas décadas. A medida foi aprovada por unanimidade tanto na Câmara de Deputados quanto no Senado provincial e estará em vigor até 30 de abril de 2027, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses.
Para quem não está familiarizado: El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre quando as águas do Oceano Pacífico equatorial esquentam acima do normal, alterando os padrões de chuva em várias partes do mundo. Na Argentina, especialmente na região do Litoral, isso significa chuvas torrenciais, aumento do nível dos rios e risco de inundações severas.
O que a lei de emergência permite?
A nova lei, impulsionada pelo Poder Executivo provincial, dá ao governo poderes especiais para agir rapidamente. Entre as medidas previstas estão:
- ✓ Aceleração de obras públicas para prevenção de inundações
- ✓ Contratações diretas sem burocracia demorada
- ✓ Fundo extraordinário de $10.000 milhões (pesos argentinos) para emergências
- ✓ Coordenação direta com municípios e comunas
A presidente da Câmara de Deputados provincial, Clara García, destacou: “Estamos diante de um fenômeno que não reconhece limites nem cores políticas, por isso queremos prevenir e agir sem demoras, de forma articulada no território, prestando contas do que foi feito”.
Plano de saúde e prevenção
O Ministério da Saúde provincial, liderado pela secretária Andrea Uboldi, já está desenvolvendo um plano de contingência que será apresentado nas seis regiões da província. O objetivo é garantir que os serviços de saúde continuem funcionando mesmo durante enchentes, quedas de energia ou evacuações.
Vacinação prioritária
Será priorizada a vacinação antitetânica para equipes de emergência, além das vacinas contra hepatite B, gripe e dengue para profissionais de saúde e defesa civil.
População vulnerável
Serão criados mapas locais para identificar gestantes, pessoas imunossuprimidas e pacientes em diálise que precisem de transporte regular.
Saúde mental
Protocolos de apoio emocional serão implementados para evacuados, especialmente em Santa Fe, onde a inundação de 2003 deixou marcas profundas na população.
Logística
Será revisada a localização de soros antiofídicos e antiescorpiônicos, além da identificação de centros alternativos de evacuação.
O que dizem os especialistas?
Em um debate organizado pela Faculdade de Engenharia e Ciências Hídricas (FICH-UNL), especialistas destacaram que desta vez há uma vantagem: tempo de preparação. Gabriela Müller, pesquisadora do CONICET, afirmou que “é a primeira vez que temos tanta antecedência e conhecimento sobre este fenômeno”, mas alertou que as mudanças climáticas podem intensificar ainda mais as chuvas extremas.
O professor Carlos Paoli lembrou que as grandes cheias do rio Paraná (1983, 1992, 1998) superaram os 7 metros de altura. Atualmente, o rio está em 3,15 metros, um nível considerado médio, mas a situação pode mudar rapidamente dependendo das chuvas. Na bacia do rio Salado, a margem de previsão é de apenas 3 a 5 dias.
Recomendações para a população
As autoridades recomendam que os moradores de Santa Fe e região:
- Preparem um kit de emergência com documentos, remédios e roupas
- Sigam apenas fontes oficiais (Serviço Meteorológico Nacional e Secretaria de Recursos Hídricos)
- Evitem espalhar notícias falsas que possam causar pânico
O cenário é desafiador, mas Santa Fe está demonstrando que aprendeu com as tragédias do passado. A coordenação entre governo, municípios, universidades e sociedade civil será essencial para atravessar os próximos meses da melhor forma possível. Com prevenção e trabalho conjunto, é possível reduzir os impactos e proteger vidas.
Fontes: Imago, agências de notícias e comunicados oficiais da Província de Santa Fe.